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A Crítica
Opinião

Projeção é de mais recorde nas queimadas

O número de focos de incêndio praticamente dobrou e é o maior desde 1998. É um aumento recorde que faz crescer o temor por uma devastação ainda mais expressiva nos próximos meses, com a chegada do período seco

Publicado em 24/06/2022 às 09h50 · Atualizado em 24/06/2022 às 10h02
Projeção é de mais recorde nas queimadas
Foto: Reprodução

O segundo semestre do ano está prestes a começar, trazendo consigo a estação seca e previsível aumento nos incêndios florestais. 

 

De fato, o aumento das queimadas já começou com força total. Basta lembrar que as queimadas na Amazônia já aumentaram quase 100% em maio na comparação com o mesmo mês de 2021, segundo relatório divulgado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

 

O número de focos de incêndio praticamente dobrou e é o maior desde 1998. É um aumento recorde que faz crescer o temor por uma devastação ainda mais expressiva nos próximos meses, com a chegada do período seco.

 

O crescimento das queimadas está diretamente relacionado ao desmatamento, que tem sido impulsionado pela abertura de grandes áreas para pastagens, lavouras ou garimpos.

 

Trata-se de uma tragédia ambiental que não começou neste ano, mas tem sido tratada com certa indolência pelo poder público.

 

Porém, como estamos em ano eleitoral e os estrategistas de campanha tentam se antecipar às agendas negativas, é bem possível que a postura geral em relação a crimes ambientais como desmatamento e queimadas seja diferente.

 

Não é à toa que desde ontem, a permissão para a prática de queimadas em todo o território nacional está suspensa por 120 dias por força de decreto do governo federal.

 

Mais do que pretender um efeito prático na prevenção aos incêndios, a medida objetiva mostrar que há, sim, alguma preocupação com o avanço da degradação de biomas como a Amazônia e o Cerrado, que também vem sofrendo muito com a destruição da cobertura vegetal.

 

Porém, o decreto em si tem um alcance muito limitado, pois, no Brasil, não basta proibir, é necessário fiscalizar o cumprimento da proibição.

 

Neste caso, é uma tarefa que pode ser exercida por diversos instituições, mas principalmente pelos órgãos ambientais: Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio).

 

Mas esses órgãos estão definhando. No início do ano, quando o Ibama completou 33 anos, servidores protestaram em Brasília e várias cidades. Em dez anos, o efetivo encolheu 55%. Não é possível conter o avanço do desmatamento e das queimadas sem o fortalecimento dos órgãos ambientais.