Punição exemplar aos fraudadores
Houve alertas a respeito do que estava acontecendo, servidores do instituto chegaram a ser afastados de suas funções por apontarem indícios de irregularidades; foram silenciados para que o esquema continuasse.
A ação da Polícia Federal que resultou, nesta quinta-feira, na prisão de um ex-presidente do INSS, além de busca e apreensão em imóveis de ex-ministro, deputados e servidores do instituto não pode parar por aí. Este tem que ser apenas o início do cerco aos responsáveis pelo maior golpe já praticado contra aposentados e pensionistas em nosso País, desviando milhões por meio de descontos ilegais. A responsabilização dos criminosos não pode ser apenas aparente; ações pontuais para “acalmar” a indignação social e o clamor por justiça. Tampouco deve ser guiada por polaridades políticas. Que esta ação seja apenas a primeira de quantas forem necessárias para identificar os envolvidos e punilos segundo a participação de cada um, independentemente de qual governo tenha participado e do nível do cargo público que tenha ocupado.
As investigações sobre a fraude atestam que a corrupção não conhece cor partidária, não se enquadra com exclusividade em espectros políticos específicos. Por isso mesmo, deve ser combatida de maneira firme, ignorando tais vieses. Infelizmente, para nossa vergonha, a corrupção permeia o trato da coisa pública em nosso País. Por essa e outras razões, tão importante quanto punir é estabelecer mecanismos eficazes para coibir tais práticas. Este é um ponto crucial: a governança pública precisa ser aprimorada, assim como a transparência.
Houve alertas a respeito do que estava acontecendo, servidores do instituto chegaram a ser afastados de suas funções por apontarem indícios de irregularidades; foram silenciados para que o esquema continuasse.
Que os responsáveis pela fraude milionária no INSS sejam todos punidos, que devolvam ao erário o que foi desviado, e que, uma vez penalizados, jamais sejam anistiados, para que o caso e seu desfecho não sejam esquecidos. Se funcionários públicos, que sejam exonerados e jamais voltem ao serviço; se políticos, que percam o mandato e não voltem a se eleger; se empresários, que nunca venham a negociar com órgãos públicos novamente. Esta seria a melhor conclusão para este triste episódio. Cabe à sociedade fazer a pressão necessária, e às autoridades, tomar as providências cabíveis.