Risco ambiental para o Brasil
Neste momento, agora mesmo, em meio à ignorância da gigantesca maior parte do povo brasileiro, os yanomamis – um dos únicos povos indígenas que sobrevivem até hoje à chegada dos portugueses há mais de 500 anos – travam uma luta decisiva pela própria sobrevivência. Isso não se trata de mera afirmação. Desde alguns anos, esse povo se favoreceu da visão geral que reconhecia o seu extermínio ao longo de muitas décadas, principalmente na década de 1960, quando teve início a construção de uma obra que nunca chegaria ao fim, mas selaria a morte de centenas de indígena de diversas etnias, inclusive yanomamis. Muito tempo passou, os yanomami sobreviveram, como sobrevivem até hoje, não graças a iniciativas do governo federal, mas devido às próprias forças, que sempre indicam a vontade de viver. Essa vontade está novamente posta à prova, de uma forma que, de certa maneira, é inédita. Mas os yanomamis resistem do jeito que podem.
E continuam a lutar até hoje, contra a “modernidade” e outras inovações mais sofisticadas. Infelizmente, as ameaças ao modo de vida yanomami partem de todos os lados nos dias atuais. Na ausência de uma legislação que os alcance, garimpeiros avançam sobre as áreas que deveriam ser protegidas sem o menor temor de represálias – muito pelo contrário -, avançam com a certeza de que terão suas ações legitimadas pelo governo federal. Trata-se de crime ambiental puro e simples, que deveria ser facilmente identificado e punido. Infelizmente, como estamos tratando de Brasil, nada é tão simples.
O fato é que o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Sales, está sendo investigado por possível facilitação à exportação ilegal de madeira. Isso tem sido, até agora, ignorado pelo governo brasileiro. Mas não pelas instâncias internacionais, onde a situação do Brasil apenas se deteriora. O País situa-se em uma encruzilhada: ou o Brasil encontra uma forma de promover o desenvolvimento sustentável de maneira autêntica e capaz de convencer o resto do mundo, ou aceita o papel de pária ambiental de projeção internacional. Ainda não é tarde demais para o Brasil, mas a virada de chave depende também da substituição de comando e direcionamento da política ambiental. O governo federal fará isso? Questão para os próximos capítulos