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A Crítica
Opinião

Sem dignidade no fim da vida

É um debate que precisa ser protagonizado pelos parentes mais próximos, geralmente, os filhos, e que deve ocorrer com plena anuência do próprio idoso ou idosa, que tem o direito de decidir sob os cuidados de quem passará o restante de sua velhice

Publicado em 19/04/2024 às 09h59
Sem dignidade no fim da vida
Foto: Reprodução

O caso do idoso morto que foi levado a agência bancária por alguém interessada em empréstimo de R$ 17 mil estarreceu o País. O caso segue sendo investigado pelas autoridades competentes, mas não deixa de ser um retrato macabro da situação de violência e exploração a  que muitos idosos são submetidos diariamente no Brasil. Estudo do Sesc revela que 68% dos idosos aposentados são os principais responsáveis pelo sustento de suas famílias. O cuidado com os idosos, inclusive no que diz respeito ao gerenciamento dos proventos oriundos da aposentadoria, é um tema que, cedo ou tarde, precisa ser discutido no seio de cada família.

É um debate que precisa ser protagonizado pelos parentes mais próximos, geralmente, os filhos, e que deve ocorrer com plena anuência do próprio idoso ou idosa, que tem o direito de decidir sob os cuidados de quem passará o restante de sua velhice. Como é comum que essa conversa não ocorra, ou aconteça sem a devida transparência, ou mesmo sem a anuência do idoso, abre-se espaço para todo tipo de abuso. Infelizmente, é comum que os filhos apenas abandonem os idosos aos cuidados de quem se dispuser a cuidar deles.

Também é frequente que os cuidadores sejam pessoas mal intensionadas, interessadas apenas em assumir o controle dos recursos provenientes da aposentadoria dos próprios pais, tios ou avós. É natural que os aposentados com idade avançada confiem o controle das finanças a seus cuidadores, mas cabe a esses agir com responsabilidade, empatia e carinho que os parentes mais velhos merecem. 

Ao restante da família cabe o dever de fiscalizar e zelar pelo bem-estar dos idosos, denunciando eventuais abusos cometidos por seus responsáveis. 

Infelizmente, Paulo Roberto Braga, falecido aos 68 anos, não teve descanso mesmo após a morte. Morreu desnutrido e debilitado sob os cuidados da própria sobrinha. Faleceu na terça-feira, 16, mesmo assim, foi levado ao banco para “assinar” em empréstimo bancário. Neste momento, muitos Paulos seguem explorados pelas pessoas que deveriam deles cuidar. A eles é negado o mínimo de dignidade no fim da vida.