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A Crítica
Opinião

Tragédia de Brumadinho pede respostas firmes

Faltam informações que esclareçam tanto a sociedade de Minas Gerais quanto a dos demais estados brasileiros sobre os procedimentos adotados e qual o tipo de controle hoje existente

Publicado em 16/01/2024 às 10h07
Tragédia de Brumadinho pede respostas firmes
Foto: Agência Brasil

Neste mês completa cinco anos da tragédia de Brumadinho, em Minas Gerais, quando 272 pessoas morreram e outras tantas foram impactadas acidente. Até hoje não houve responsabilização enquanto outras ocorrências semelhantes foram registradas e denúncias de que outros casos podem acontecer.

Em nível nacional ocorre atualmente mobilização para que providências sejam adotadas como o início imediato do julgamento. Aproximadamente 40 mil pessoas estão participando da ação. A tragédia de Brumadinho coloca o Brasil em situação de alerta nacional sobre os procedimentos de prevenção e de fiscalização adotados nesse tipo de empreendimento.

Faltam informações que esclareçam tanto a sociedade de Minas Gerais quanto a dos demais estados brasileiros sobre os procedimentos adotados e qual o tipo de controle hoje existente. A consequência dessa tragédia é muito grande e não pode ser minimizada, ao contrário, pede providências enérgicas que signifiquem a disposição do governo brasileiro em atuar para impedir que haja repetição e, por meio de instrumentos sólidos, estabeleça parâmetros de qualidade que retire o Brasil dessa situação de precariedade no monitoramento e de omissão.

Pede-se justiça para a população de Brumadinho e das demais localidades atingidas, aos familiares das vítimas fatais e à Natureza cujos danos foram elevados. Não deveria ser necessário, em ocorrências dessa ordem, mobilização por justiça e agilidade no processo instaurado, infelizmente, por conta de outros interesses, conclamar a sociedade nacional é a saída a fim de impedir mais um ato de impunidade.

Cabe à Justiça Federal, de acordo com decisão de 2022, processar e julgar os responsáveis por diferentes crimes. Forma 26 municípios e 944 mil pessoas vítimas diretas da lama tóxica. Há reparações que não reparam, mas é uma exigência moral, legal e legitima que aos vivos sejam oferecidas respostas para minimizar os prejuízos, atenuar a dor e o longo processo de sofrimento a fim de que possam lidar com os traumas e seguir com suas vidas.

O tipo de procedimento a ser adotado nesse caso deverá gerar indicadores para outros e representará um sinal a respeito do conjunto de cuidados que deve ser implementado tanto nas barragens existentes quanto nas que estão em andamento. Novas tecnologias estão à disposição para oferecer maior grau de segurança, que sejam obrigatoriamente utilizadas, o que também envolve mais transparência nos protocolos adotados.