Manaus sáb, 17 out
A Crítica
Opinião

Transporte de má qualidade

Publicado em 08/04/2019 às 11h20 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h32
Transporte de má qualidade

É fato que o transporte de passageiros em Manaus é uma bagunça. Os micro-ônibus da modalidade executivo operam com contratos precários. Não se faz licitação para essa modalidade, como determina a lei, desde 2012, um problema que só agora vem sendo corrigido pela Prefeitura. Por outro lado, o elevado custo do serviço de taxi limita bastante a clientela, principalmente diante de opções similares muito mais baratas.

Soma-se a isso a insegurança que, infelizmente, existe no serviço de mototáxi em Manaus. Apesar de já estar regulamentado pela Prefeitura, com motocicletas padronizadas, a atuação de motociclistas sem autorização é evidente em toda a cidade sem que nenhuma providência seja tomada. Os “piratas” atuam tranquilamente sem medo de qualquer fiscalização. Isso sem falar nos casos freqüentes de crimes cometidos por pessoas que se passam por mototaxistas.

Quanto aos ônibus, a própria qualidade dos veículos e, consequentemente, do serviço, é um dos grandes problemas. Os carros são velhos, inseguros, e a distribuição por horários é mal feita pelas empresas, tornando o simples ato de entrar em um ônibus nas primeiras horas da manhã um suplício para os passageiros, uma indignidade, em face do grande número de pessoas que precisam do transporte e se submetem a viajar em carros absurdamente lotados.

É nesse cenário péssimo – principalmente para os passageiros – que o transporte mediado por aplicativos surge como uma opção mais barata, confortável e segura. O sucesso da nova modalidade em Manaus foi imediato. Porta-vozes das empresas de ônibus usam um argumento descabido quando dizem que o transporte por aplicativos pode inviabilizar o sistema público. Com a péssima qualidade do serviço que oferecem, as empresas não podem reclamar da queda no faturamento por perda de usuários. O que elas precisam é fazer o que qualquer empresa, de qualquer ramo, tem que fazer em face da concorrência: oferecer um serviço melhor. As empresas de ônibus precisam focar em qualidade e otimização de recursos.

A regulamentação do transporte por aplicativos é indispensável, não resta dúvida. Mas precisa ser uma lei justa. Os vereadores não podem ceder à pressão dos empresários de ônibus, nem dos taxistas e construir uma regulamentação equilibrada, tendo como foco principal o benefício da população.