UEA, o primeiro vestibular – Parte 2
Por Lourenço Braga / lourencodossantospereirabraga@hotmail.com
Como deixei dito na semana passada, a procura por inscrição em Manaus para o primeiro vestibular da nossa Universidade do Estado do Amazonas, tal como se daria depois nos municípios do interior do estado, para as vagas a eles destinadas, superou em muito a expectativa dos organizadores do vestibular, obrigando à confecção de material novo em todos os dias e conduzindo a reitoria a obter da Empresa Brasileira de Correios mais duas horas diárias de trabalho para permitir o atendimento de todos os que buscavam, dentre o que acabou sendo mais de 140.000 só em Manaus, o direito de disputar uma vaga na nova instituição pública de ensino superior.
Foi o que noticiou o jornal A Crítica, informando que a partir daquele dia as agências dos Correios abririam às 7h e fechariam às 19h, mas a agência da Praça do Congresso funcionaria até às 24 horas e a do shopping até às 22h. “Candidatos interessados em se inscrever para o vestibular da recém-criada Universidade Estadual do Amazonas (UEA) terão, a partir de hoje, mais quatro horas disponíveis. É que as agências dos Correios passarão a atender a partir das 7h e só fecharão às 19h para entregar os formulários e recebê-los preenchidos. As únicas exceções são as agências da praça do Congresso, que atenderá das 7h às 24h, e a do Amazonas Shopping, das 10h às 22h. A procura pelo vestibular da UEA continuou intensa ontem, principalmente durante o período da manhã, quando as filas dobravam quarteirões. À tarde houve falta de formulário em algumas agências dos Correios, como na agência da praça do Congresso, mas a coordenação providenciou a reposição no mesmo dia.”
Repercutindo o interesse da sociedade, sobretudo de quem residia em Manaus naquela oportunidade, o mesmo jornal publicou, sob o título de “Ensino Superior, esperança de estudo”: “Sol, chuva, filas quilométricas e muita espera. Ontem, na última semana de inscrição para o vestibular da UEA, a procura continuou intensa nas 23 agências dos Correios em Manaus. Houve quem chegasse de madrugada para garantir a inscrição. A estudante Ana Flávia Passos, 24, escolheu a agência do Congresso, na tarde de ontem, para voltar a ter esperança de cursar o ensino superior. Ela se formou em 96 e, desde então, conta que não teve oportunidade para pelo menos pensar em tentar o vestibular nas outras instituições. O valor das inscrições sempre a desestimulava. Ana Flávia também diz que teve de viajar e voltou recentemente. “Quando cheguei, soube da nossa Universidade, que a inscrição era gratuita. Tomara que dê certo, porque quero concorrer a uma vaga no curso de Enfermagem”, comenta sob a sombra de seu guarda-sol providencial. As colegas Aparecida Oriente, 31, e Helcy Cristina Aguiar, 21, também estão voltando a ter esperanças de cursar o ensino superior, depois de um longo período afastadas da sala de aula. O motivo: a gratuidade das inscrições. Aparecida é funcionária pública em um colégio de Manaus e também atua na área de Enfermagem. Ela quer cursar Farmácia e afirma que não fez vestibular há mais tempo porque não tinha dinheiro. “Agora, quem não quer tentar o vestibular?”, diz, escondendo o rosto do sol. Helcy disse que tentou vestibular apenas uma vez, em 99, quando concluiu o ensino médio. Com a gratuidade das inscrições, ela quer ingressar na universidade: “Com certeza hoje é fundamental ter o ensino superior. E com essa chance que estão nos dando, quem quer perder?”.
No mesmo 9 de fevereiro, outro matutino local publicara matéria que também expressava o alto grau de interesse da sociedade, estudantes ou não, pelo vestibular cujas inscrições transcorriam em Manaus, assim: “Vestibular mobiliza multidão: Milhares de pessoas compareceram às agências dos correios no primeiro dia de inscrição para o vestibular da Universidade Estadual do Amazonas. A decisão de não cobrar a taxa de inscrição desencadeou uma verdadeira corrida pelas vagas disponibilizadas na capital.A gratuidade da taxa de inscrição está alimentando o sonho de muitas pessoas, como é o caso de Raimunda Franco Castelo, 22 anos, moradora do Coroado III. Raimunda tem dois filhos e pretende fazer o vestibular porque acredita que se passar poderá conseguir um emprego estável. Márcia Carmim, 29, estudante, também pretende prestar vestibular. Desempregada há 4 anos, Márcia diz que só fará o vestibular da UEA porque não pagará nada.”
O cuidado com a organização do certame conduziu à decisão de garantir ao candidato o conforto de receber o Cartão de Confirmação de Inscrição (CCI) em sua própria residência, por ele indicada na ficha de inscrição, através dos Correios, no período de 21 a 23 de fevereiro de 2001. O candidato que, por algum motivo, não recebesse em sua casa o documento que o habilitava a ingressar na sala de prova, deveria buscá-lo na agência dos Correios situada na Praça do Congresso.
Não foi o que se deu. Provavelmente porque transcorria na mesma época a inscrição para concurso público para provimento de cargos da Polícia Civil, também coordenado pela Secretaria de Administração, os Correios não suportaram a demanda e isto fez que a Universidade se dedicasse ao processo de entrega de cartões, para o que criou infraestrutura de apoio no estádio Vivaldo Lima, onde atuaram servidores da Secretaria de Administração, da Comissão de Licitação e da Escola de Serviço Público, sob a coordenação de Maria Justina Monteiro, além do ISAE de Lincoln, Rosa e Ieda.
Segundo a programação estabelecida desde o início, o vestibular deveria desdobrar-se em dois concursos: o primeiro destinado às 970 vagas oferecidas em Manaus, cujo número de inscritos ultrapassou 140.000 candidatos; o segundo, para preenchimento das 800 vagas oferecidas em Parintins e em Tefé e para as 160 vagas em enfermagem, medicina e odontologia reservadas para alunos do interior. O grande número de candidatos inscritos para realização das provas em Manaus, todavia, obrigou à decisão de realizar o concurso em dias distintos, pela dificuldade de acomodação física de todos os concorrentes nas escolas da capital e de movimentação do sistema de transporte coletivo para público de tal magnitude.
Foram, então, publicados editais e divulgadas informações em todos os veículos de comunicação de massa, incluindo jornais, rádios e televisões. Merece destaque, a esse propósito, o trabalho dos dois assessores de imprensa que se integraram então à equipe: Liliane Maia e Paulo Roberto Pereira que atuaram com dedicação e competência na cobertura de todo o evento, como depois se deu por longo período na Universidade.
Noticiando a chegada a Manaus das provas elaboradas pela Fundação Getúlio Vargas, do Rio de Janeiro – instituição que já atuava em parceria com a Secretaria de Administração, cuidando de implantar no Estado o Registro de Preços que permitiu a modernização do sistema de compras, e de transferir de fichas para banco eletrônico de dados, também pela vez primeira, todos os registros funcionais, até então feitos manualmente, dos mais de 60.000 servidores estaduais, implantando sistema de cadastro funcional e financeiro que ainda vigora nos dias atuais – disse um matutino de Manaus: “Amanhã as provas chegam a Manaus – As provas para o primeiro concurso vestibular da Universidade Estadual do Amazonas (UEA), que se realizará neste domingo, dia 4, chegam amanhã a Manaus, com os técnicos da Fundação Getúlio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro. O anúncio foi feito ontem pelo reitor Lourenço Braga, que revelou que as provas ficarão num cofre forte do Banco do Estado do Amazonas (BEA) até domingo.”
O recebimento dos malotes de provas, no aeroporto Eduardo Gomes, foi alvo de grande cobertura jornalística, tanto quando o transporte, em carro forte, de todo o material para cofres do Banco do Estado do Amazonas, onde permaneceram sob a vigilância de soldados da Polícia Militar e um jornal local destacou: “Começa corrida para o maior vestibular do AM – Com uma concorrência jamais vista na história do Amazonas – são 145 mil candidatos inscritos no total – começa hoje, às 13.45h, o vestibular da Universidade Estadual do Amazonas (UEA). São três dias de exames. Hoje farão testes apenas os 44.227 candidatos que se inscreveram para os cursos de Educação (Normal Superior), Turismo e Artes (Dança e Música). As provas chegaram ontem a Manaus por volta das 14 horas. São 70 questões objetivas, com cinco alternativas de respostas, sendo oito perguntas para cada disciplina, com exceção de Língua Estrangeira que terá apenas seis questões.”
Uma forte estrutura de material, pessoal, alimentação, transporte e logística foi montada com o ISAE, a FGV e o apoio da equipe de Zeina Neves para garantir o sucesso do evento. Um gabinete especial foi montado na Secretaria de Administração e dele participaram representantes da Polícia Militar, da Polícia Civil, do Corpo de Bombeiros, da Companhia de Energia, do Sindicato de Transportes Coletivos, da Secretaria de Saúde, da Secretaria de Segurança, todos que envolveram servidores seus que se juntaram a um verdadeiro exército de fiscais e coordenadores de colégios e de áreas previamente treinados. No próximo artigo tratarei de como e onde foram aplicadas as provas para preenchimento das vagas para os cursos que seriam ministrados em Manaus.