Um passo rumo ao fim da jornada 6×1
O modelo mais cotado é a escala 5x2 (cinco dias de trabalho para dois de descanso), com redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, mantendo os salários.
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou, nesta quarta-feira, 22, relatório favorável ao fim da escala 6×1, dando relevante passo para adoção de um novo padrão de jornada semanal de trabalho no Brasil. O modelo mais cotado é a escala 5×2 (cinco dias de trabalho para dois de descanso), com redução da jornada semanal de 44 para 40 horas, mantendo os salários. O relatório da CCJ representa apenas o começo dos debates; ainda há muito o que negociar antes da efetiva implementação de qualquer mudança, se é que alguma será implementada.
Defensores do fim da escala 6×1 apontam o sucesso desse padrão em diversos países, como Chile, Islândia e Bélgica, destacando que a mudança, além de não trazer queda na produtividade, em muitos casos, até a aumentou. No entanto, não se pode perder de vista que cada país é único e, seja qual for o modelo adotado no Brasil, ele terá que observar as especificidades do mercado de trabalho brasileiro, bem como sua diversidade e as necessidades de cada setor. Varejistas, por exemplo, já se mobilizam e alertam para possíveis custos adicionais e necessidade de contratações.
De qualquer forma, é essencial que o debate ocorra considerando, principalmente, aspectos técnicos, sem contaminação político-eleitoral. Infelizmente, tal aspiração é praticamente impossível em ano de eleições. É um tema que fala diretamente à classe trabalhadora. Não à toa, certamente será bandeira de campanha de candidatos posicionados em todos os espectros políticos, mesmo os mais liberais e historicamente alinhados à classe empresarial. Esta por sua vez, tem se posicionado, por meio de diferentes entidades representativas de diversas atividades econômicas, contra o fim da escala 6×1, temendo consequências que vão do aumento de despesas à inviabilização de segmentos inteiros. Novamente, tema tão delicado precisa ser discutido com equilíbrio e responsabilidade, visando sempre o melhor para o País como um todo.