Urgência ambiental
O Brasil está colhendo, na área ambiental, exatamente o que o governo federal plantou desde os primeiros dias da atual gestão, sustentando uma postura antiambientalista, enfraquecendo órgãos ambientais e tratando ONGs como inimigos nefastos. O modo como o governo tratou a crise das queimadas de 2019 ilustra bem essa postura e contribuiu decisivamente na construção de uma imagem muito negativa perante o mundo.
Aparentemente, como parte da metamorfose pela qual passa o presidente, o governo percebeu que é preciso mudar de rumo nessa questão, muito mais para evitar os danos econômicos que essa imagem ruim pode trazer, do que por uma preocupação ambiental legítima. Mas vem encontrando dificuldades. O vice presidente Hamilton Mourão, em sua participação no Fórum Mundial Amazônia +21, manteve a postura baseada na negação e na relativização do problema, ao negar que exista a exportação ilegal de produtos da floresta. O evento em si era uma grande oportunidade para o governo brasileiro começar a mudar a percepção a respeito de sua política ambiental, mas isso não aconteceu, sobretudo porque o País ainda não tem tal política devidamente estruturada.
Algo assim só pode ser construído de forma coletiva, com a participação direta dos povos da floresta, dos governos estaduais e municipais e a partir de uma interlocução com a sociedade. O tipo de atitude participativa que o governo não conseguiu demonstrar até agora. Paralelo a isso, é necessário fortalecer as instituições que atuam na preservação ambiental, combo Ibama e ICMbio. Só assim o País Construirá indicadores positivos como redução efetiva no desmatamento e nas queimadas.
O mundo todo, incluindo grandes empresas e investidores de peso, espera resultados concretos em relação a esses dados. Discursos inflamados envolvendo soberania nacional e uma suposta distorção dos fatos, além de várias teorias da conspiração, não serão suficientes para sensibilizar o capital internacional, o que pode significar a fuga de investimentos estrangeiros, com consequências imprevisíveis para o País, principalmente no agronegócio, um dos pilares da economia. Mas do que nunca o Brasil precisa de uma política ambiental séria e abrangente, combinando a exploração de recursos naturais com a preservação da floresta, dos rios e das culturas tradicionais.