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A Crítica
Opinião

Venceu o fisiologismo

Publicado em 14/08/2021 às 13h27 · Atualizado em 13/03/2022 às 19h14
Venceu o fisiologismo

O parlamento brasileiro a partir do Congresso Nacional deu um passo para trás que, se não reparado, consumará um dos atos de desastrosas consequências e de ataque à democracia. Por 333 votos contra 149, a Câmara dos Deputados aprovou, no âmbito da reforma partidária, a volta das coligações.

Coube aos candidatos ao cargo de vereador experimentar um pequeno tempo sem coligações. Muitas candidaturas não se confirmaram vitoriosas embora tenham tidos muitos votos exatamente porque não havia coligação. A reforma proposta também sugere discutir o que é reforma e para que serve reformar algo ou alguma coisa. No caso dos partidos e das eleições, a reforma eleitoral segue na direção do pior conserto, retomando os velhos pactos que em nada abrigam as mudanças ansiedades pela sociedade no que diz respeito a função desse poder na melhoria dos caminhos de um Brasil que reclama ter poderes mais modernos, mais participativos nas questões fundamentais dos brasileiros – e a política parlamentar é uma delas –  e mais transparentes. A política perde a chance de oferecer boas respostas.

As eleições de 2022 já desenhada com essas mudanças têm a partir de agora mais elementos para ser o que ficou conhecido como “saco de gatos” e a história demonstra que esse movimento não tem oferecido bons resultados, ao contrário, arrasta o País uma convivência ponde prevalecem os acordos altamente nocivos ao Poder Legislativo e à população. Reformas efetivas que já deveriam sido enfrentadas pelo Legislativo são permanentemente retardas para que prevaleçam os pactos de manutenção de uma série de aspectos que empurram para baixo o exercício parlamentar no Brasil bem como as características dos partidos. Ou seja, permanece o fisiologismo.

É na cultura fisiológica que as ações continuam não somente no Poder Legislativo, mas na relação desse poder com os demais, o Executivo e o Judiciário. Mais uma vez, o País perde a oportunidade de fazer mudanças que proporcionariam instituir outra cultura política que é fundamental aos partidos e ao parlamento, segue o velho e viciado roteiro dos grandes conchavos, dos esquemas que revelados na direção dos votos dados pelos parlamentares às matérias expressam quais são os interesses que de fato mobilizam deputados, senadores e a sequência desse exercício nas assembleias legislativas e nas mais de 5 mil câmaras municipais.