Manaus sáb, 31 out
A Crítica
Opinião

‘Viver Melhor’, um pesadelo diário

Publicado em 07/12/2018 às 10h14 · Atualizado em 13/03/2022 às 20h54
‘Viver Melhor’, um pesadelo diário

A insegurança e o medo marcam a vida da maioria dos moradores do conjunto residencial Viver Melhor, na Zona Norte de Manaus. Muitos deles, por diversas vezes, disseram que decidiram ir para esse habitacional tentando conciliar segurança e preço mais acessível para a moradia. Não conseguem tem nem uma coisa nem outra.

Pagam um preço que se torna alto quando comparado ás condições de vida que estão sendo obrigados a ter onde os sobressaltos e os assaltos estão sendo parte do cotidiano. As mulheres que têm filhos pequenos e, sozinhas, são as responsáveis por mantê-los são as que mais sofrem com a pressão feita sobre moradores pelos grupos que atuam na ilegalidade dentro do conjunto e determinam como devem funcionar as rotinas do lugar.

Matéria de A CRÍTICA, caderno de Cidades, edição de quinta-feira (6), apresenta um panorama da crítica condição dos moradores. O  Viver Melhor está longe de fazer jus ao nome que carrega, ao contrário, o sonho de uma vida que pudesse ser melhorada a partir da conquista de um lugar para morar vem sendo transformada em pesadelo. Muitas unidades do conjunto habitacional estão alugadas e os proprietários, vivendo em outros  espaços, deixam o controle nas mãos dos locatários que, em várias ocorrências, se comportam como se nada tivessem a ver com o que ocorre, ignoram as regras estabelecidas legalmente para quem vive nesse tipo de residência de caráter compartilhado. O que fica no compartilhamento é o terror a instabilidade e a decadência do conjunto e da qualidade de vida que gerou a proposta do programa.

O Viver Melhor poderá vir a ser um espaço de vida mais digna em sentido amplo. Para isso, é necessário que o governo a partir dos órgãos responsáveis pelo programa, os agentes da Segurança Pública, de financiamento e os moradores, organizados por uma representação, passem a conversar mais, apresentar o quadro de problemas e estabelecer procedimentos conjuntos no enfrentamento destes. Faz-se urgente assumir compromissos e rever as condições de habitação, de quem são os proprietários e da real carência de moradia. Quem não tem onde morar – foco do programa Minha Casa, Minha Vida do qual o Viver Melhor faz parte – sabe exatamente a importância de conquistar uma habitação e irá zelar por ela. Os que fazem negócios com esse perfil de moradia exploram uma situação de pobreza, especulam e não se importam.