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A Crítica
Opinião

Vozes na floresta

Publicado em 29/05/2019 às 12h01 · Atualizado em 13/03/2022 às 21h40
Vozes na floresta

Aos 87 anos de idade – e quase três décadas depois de rodar o mundo com o cantor Sting em defesa da biodiversidade do planeta – o brasileiro Raoni Metuktire retomou a tarefa de denunciar as ameaças ao meio ambiente do planeta.  Esta semana, esteve com o Papa Francisco, em um dos momentos mais célebres da viagem de três semanas que faz pelo Europa. O líder kayapó foi recebido com um abraço para a audiência privada na Casa Santa Marta, Vaticano. O encontro, segundo a agência de notícias da Igreja Católica, realizou-se no contexto da preparação do Sínodo que acontecerá em outubro com o tema “Amazônia: Novos Caminhos para a Igreja e por uma Ecologia Integral”. Ao final da reunião, o diretor interino da Sala de Imprensa da Santa Sé, Alessandro Gisotti, anunciou que “o Papa reitera a sua atenção pela população e pelo ambiente da área amazônica, e o seu compromisso pela preservação da Casa Comum”.

Acompanhado de outras lideranças indígenas do Brasil, o líder kayapó leva ao velho continente uma mensagem de apreensão. Já passou pelo Festival de Cannes e se reuniu com o presidente da França, Emmanoel Macron. Em Bruxelas, marchou com estudantes que deram início em 2018 a um movimento global de jovens contra as mudanças climáticas. Em todos os cantos, Raoni Metuktire tem dito que é preciso estar alerta.

Em abril, mês dos povos indígenas no Brasil, o Governo Federal divulgou que propôs aos EUA uma abertura para exploração conjunta da região amazônica. Eleito com discurso crítico ao que chama de "indústria de demarcação de terras”, que inviabilizaria projetos de desenvolvimento, o presidente Jair Bolsonaro defende a possibilidade de ampliar atividades de mineração e agropecuária em terras indígenas. Essa possibilidade causa pesadelos aos povos originários destas terras. Raoni busca ajuda prática (dinheiro) para proteger o Parque Nacional do Xingu.

No começo do mês, frente a pesquisadores, ativistas e artistas em Harvard, Davi Kopenawa Yanomami falou de uma ameaça parecida: “Nossa Terra Yanomami está reconhecida, homologada e registrada, como uma criança que nasce de uma mulher. Mas o capitalista não quer que ela fique viva. Ele invade e gosta de desmatamento para fazer dinheiro. Faz mineração, tirando a pele da terra e cavando buraco. Fecha o rio e mata as árvores afogadas”. Até quando?