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A Crítica
Política

‘Objetivo é alcançar as metas do saneamento’, afirma Deisiane Erculano

Primeira diretora-presidente mulher da Cosama, ela afirma que vai trabalhar para universalizar o acesso à água e o tratamento de esgoto até 2033

Publicado em 15/06/2025 às 13h33
‘Objetivo é alcançar as metas do saneamento’, afirma Deisiane Erculano
Foto: Junio Matos/A CRÍTICA

Recém nomeada diretora-presidente da Companhia de Saneamento do Amazonas (Cosama), Deisiane Erculano diz que o órgão irá trabalhar para o estado conseguir alcançar a desafiadora meta de universalizar o acesso à água, coleta e tratamento de esgoto até 2033. Ela é a primeira mulher à frente da pasta executiva desde a fundação, em 1969.

Apesar do objetivo, a Companhia continua a atender apenas 15 dos 62 municípios do Amazonas, embora esse número tenha crescido na gestão Wilson Lima (antes eram 12 prefeituras). Questionada sobre a expansão, Deisiane diz que há municípios interessados, mas a ampliação dos atendimentos depende de estudos, orçamento e orientação política.

À reportagem, ela destacou como políticas de sucesso desta gestão o projeto Água Boa, que já resultou na instalação de mais de 700 purificadores, distribuídos nos 62 municípios do Amazonas. Outro número que considera positivo é o de mais de três milhões de copos com água distribuídos por meio da Cosama, em especial, durante o Festival de Parintins.

A diretora-presidente reforçou ainda que a Cosama tem como um de seus principais desafios o impacto das mudanças climáticas, especialmente durante o período de seca. Nos anos de 2023 e 2024, quando a estiagem bateu recordes no Amazonas, uma das maiores dificuldades de populações isoladas era com água potável. Confira a entrevista.

De que maneira a sua formação lhe conecta com o tema do saneamento?

Eu comecei a falar sobre saneamento já na companhia, na Cosama. Antes disso eu não tinha entendimento nenhum, não tinha conhecimento nenhum. Sou formada na área de administração e a Cosama abriu as portas para mim, tanto na área de gestão quanto na questão de conhecimento com relação ao saneamento. Eu estou na companhia há 6 anos, comecei na área comercial e aí depois fui para outros setores até chegar hoje na presidência.

A senhora chegou a ocupar a função de presidente interina antes de se tornar titular. Como foi o diálogo para isso acontecer?

O gestor anterior solicitou uma licença médica e após isso ele pediu realmente para sair. Foi quando o governador me deu a oportunidade de ficar na gestão como eu já estava atuando, surgiu a oportunidade de continuar na presidência. Eu me sinto muito grata em poder contribuir com a gestão, pelo reconhecimento também do trabalho. Digo para você que não é fácil, mas é gratificante.

Qual o diagnóstico do saneamento no estado e o que Cosama precisa priorizar na sua gestão?

A companhia, desde 2019, já com a gestão do nosso governador Wilson Lima se preocupa em recuperar o nosso sistema de abastecimento, principalmente para universalizar o acesso à água potável. Com essa situação agora do Marco, esse é um dos nossos principais objetivos. E como a gente faz isso? A gente tem o nosso projeto Água Boa, que é a instalação do sistema em comunidades isoladas. Nós também distribuímos copos de água tratada. Temos como exemplo o Festival de Parintins. Já chegamos a marca de 3 milhões [de copos distribuídos] e a gente também apoia outras secretarias, as ações do governo, os municípios que pedem da gente, a gente também distribui. Também trabalhamos com apoio técnico para os municípios. A gente manda uma equipe técnica da companhia. Visitamos mais de 30 municípios. O objetivo principal é esse, melhorar a vida das pessoas.

O marco do saneamento tem uma meta de universalizar a água e a coleta e tratamento de esgoto até 2033. A gente consegue alcançar essa meta no Amazonas?

Nós estamos trabalhando para alcançar. O objetivo é alcançar. Estamos investindo, hoje a gente tem o apoio da Sedurb, que está nos dando total apoio para a gente poder alcançar esse objetivo.
Deisiane Erculano assumiu a presidência da Cosama neste mês, tornando-se a primeira mulher à frente da autarquia. (Foto: Junio Matos/A CRÍTICA)

 

A Cosama está, hoje, em 15 dos 62 municípios do Amazonas. Há possibilidade de esse número ser expandido ainda nesta gestão?

Hoje a gente está dependendo do nosso governador, ele determinar. A gente está tomando como prioridade, já chegou para a gente alguns municípios que querem entregar [os serviços para administração da Cosama], mas a gente tem que fazer um estudo. A gente precisa ir no município, ver diagnóstico, o investimento é grande, temos questão de orçamento, então assim, hoje a gente só está com os 15 municípios e estamos recebendo essas demandas, mas temos também questões legais.

A senhora falou que depende do orçamento. Qual é o cenário, hoje, da Cosama, do ponto de vista financeiro e de pessoal?

Hoje a companhia tem o seu recurso próprio, mas a questão de folha de pagamento, produto químico, transporte de produto químico, tudo é governamental.

Mas fazendo uma avaliação do orçamento e de pessoal, a gente está num nível bom, a gente precisa de mais, como está?

Se a gente considerar o nosso recurso próprio, não cobre. Hoje se a companhia não tivesse o apoio do governo, não sei como que seria. Precisaríamos de mais investimento. A gente sabe que o recurso é difícil, é complicado, mas a nossa arrecadação é baixa e o que a gente recebe, a gente investe na melhoria dos sistemas.

Estamos em um estado muito rico em água doce, mas que possui dificuldades históricas com o acesso à água potável, principalmente em áreas rurais. Como a Cosama pode reduzir esse problema?

Olha, a gente teve 2023 e 2024 que foram anos bem complicados. A questão das mudanças climáticas acaba afetando muito para a gente, principalmente a questão da estiagem, e aí a gente precisa aumentar a nossa atenção com as nossas captações subterrâneas, as nossas ETAs, mas tudo isso a gente trabalha para não deixar de atender a população. A gente investiu na aquisição de novas bombas, mangotes, reformamos os nossos flutuantes, temos também perfuração de poços, a gente perfurou poço em Manaquiri, perfuramos poço em Eirunepé, e aí até a própria distribuição dos copos, que a gente trabalha em conjunto com a Defesa Civil para apoiar tanto a ação da estiagem e até agora mesmo na cheia.

Os impactos da seca são mais fáceis de visualizar, agora no caso da cheia, que desafios existem e como a Cosama atua?

Com relação a cheia é mais tranquilo, geralmente não temos tanto impacto comparado com a estiagem.

Existe diálogo da Cosama com as prefeituras que não são atendidas pelo órgão?

Sim, inclusive como foi falado no início, a gente tem o apoio dos municípios, a gente já viajou para mais de 30 municípios trabalhando a questão de diagnóstico. E aí sempre tem os prefeitos que entram em contato, querem nos entregar, mas a gente sabe que temos as questões orçamentárias e temos também as questões legais.

Como o diagnóstico é feito e qual o objetivo?

Nós mandamos uma equipe técnica para o município e eles vão olhar tanto a parte em campo do parqueamento, seja poço, seja ETA, e olhar também a parte administrativa. Eles elaboram um diagnóstico, inclusive comercial, e no final apresentam o diagnóstico que é discutido. Ele indica quanto o município precisa para a empresa operar lá, a questão do orçamento, o custo necessário para a empresa realizar melhorias, como perfuração de novos poços, limpeza de poços, pessoal, e isso nos fornece um direcionamento.

Considerando esse período de seis anos que você está na Cosama, quais conquistas observa que foram alcançadas nesta gestão?

Nessa gestão, sem dúvida, seria o Água Boa. Hoje com esse sistema a gente consegue atender várias comunidades. Temos também o município de Benjamin Constant. A gente fez um investimento lá que foi a nossa ETA, e também temos a fábrica em Manaquiri, que foi a nossa primeira fábrica, inaugurada em 2022. Assim gente consegue atender o Festival de Parintins, consegue atender a população e os nossos outros projetos também.

Existe também diálogo com o governo federal?

Sim, com certeza. Nós sabemos que o governador já faz esse diálogo e a Cosama está aqui para apoiar e atuar como técnicos.

 

Perfil:

Nome: Deisiane Erculano

Estudos: Administração. Especializações em andamento na área de Direito e Regulação do Saneamento (IDP).

Experiência: gerente de Licitações e Contratos, gerente Administrativo e de Compras, e Chefe de Gabinete da Presidência. Em junho de 2025, assumiu a presidência da Cosama, sendo a primeira mulher a ocupar o cargo.