Manaus qui, 5 nov
A Crítica
Política

Pessoas com deficiência tem dificuldade para votar em Manaus

Falta de acessibilidade de alguns colégios eleitorais foi a reclamação mais frequente

Publicado em 03/10/2016 às 10h00 · Atualizado em 11/03/2022 às 22h21
Pessoas com deficiência tem dificuldade para votar em Manaus

Pessoas com Deficiência (PCDs) enfrentaram dificuldades para votar ontem em Manaus. Falta de acessibilidade de alguns colégios eleitorais foi a reclamação mais frequente. Numa escola da Zona Oeste, um cadeirante teve que ser carregado por outros eleitores para poder chegar à cabine de votação que ficava no segundo andar do prédio.

O autônomo Wollace da Silva Freitas, 36, foi quem precisou de ajuda para subir a escada de 15 degraus que dava acesso ao segundo andar da Escola Municipal Manuel Ferraz de Campos Sales, bairro Tarumã, Zona Oeste. No local, funciona a Zona 62, e ele vota na seção 589, a única que estava funcionando no andar superior do prédio. As demais estavam no primeiro andar.

“É a primeira vez que voto nesse local. No outro lugar não tinha esse problema porque a escola é adaptada. Mas eu perdi meu título de eleitor, tive que tirar outro. Quando fui tirar não tinha mais vaga para o mesmo colégio que eu votava e me colocaram nesse. Para nós que moramos sozinho e gostamos de ser independentes é muito ruim ficar dependendo dos outros para poder votar”, disse.

A coordenadora da Zona 62, Márcia Castro, contou que houve um problema na sala onde funcionaria a seção 589 e por isso ela teve que ser transferida para o segundo andar da escola. “Todas as seções ficariam no primeiro andar justamente para facilitar o acesso aos cadeirantes, mas o ar-condicionado de uma das salas sofreu um curto circuito e tivemos que trocar o local da seção”, justificou.

A entrada de muitas escolas foi um empecilho para cadeirantes. A falta de rampa dificultou a entrada deles. “Se tivesse uma rampa eu não teria tido problema para entrar. Bastava ser empurrada. Mas como não tinha tive que ser carregada para passar pelo portão que tinha a parte de baixo um pouco suspensa”, relatou a aposentada Adelaide Luiza Nascimento da Silva, 51.

A dona de casa Celeste Edith Mota, 62, também enfrentou dificuldades para levar o filho André Luiz, 27, que é cadeirante, ao local de votação. Ela reclamou da falta de calçadas acessíveis no bairro Parque Dez de Novembro, Zona Centro-Sul, onde reside, pois precisou encarar o trânsito e passar com o filho no meio dos carros, correndo riscos de ser atropelada, para poder levá-lo ao Centro Educacional Álvaro Botelho Maia.

“Aqui no Parque Dez a gente enfrenta o problema de não ter rampas de acesso para as calçadas. E quando tem, alguma árvore impede que a gente consiga passar. Isso obriga a gente a ter que passar pelo meio dos carros”, afirmou Edith. Foram 20 minutos de caminhada até a escola e, na chegada, ela ainda precisou de ajuda para conseguir entrar. Duas pessoas ajudaram a idosa a empurrar a cadeira de rodas do filho e ambos puderam exercer a cidadania.

Sem respostas

A reportagem questionou o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM) sobre a quantidade de pessoas com deficiência aptas a votar em Manaus. O órgão informou que tinha o número no sistema, entretanto, não dava para verificar porque todo o sistema estava voltado para a apuração dos votos. O TRE-AM também não informou se fez algum projeto para garantir o acesso por parte dessa população aos locais de votação.

Box

Enquanto algumas escolas não têm acessibilidade, outras tinham até cadeira de rodas para ceder a quem estava com dificuldade para se locomover. O exemplo foi visto na Escola Estadual Eldah Bitton Teles de Rocha, conhecida como Quarentão, localizada na estrada da Estanave, bairro Compensa III, Zona Oeste.

O auxiliar de depósito Edney Domingos, 33, quebrou a perna e precisa de muleta para andar. Ele revelou que quando chegou ao colégio eleitoral, que é o maior da Zona Oeste, com 8.920 eleitores, deram-lhe uma cadeira de roda para se locomover com maior facilidade pelo prédio de três andares.

“A escola cedeu à cadeira para que eu não fizesse muito esforço ao subir até a seção onde voto. Pra mim é uma coisa nova, ainda não tinha visto um lugar oferecer esse tipo de ajuda. E o bacana é que não há escadas na escola, o acesso até o terceiro andar é por uma grande rampa o que facilitar a deslocação”, afirmou Edney.