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A Crítica
Política

Prefeitos repudiam ação da PF no Amazonas: ‘atacaram a cidade’

Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e Força Nacional realizaram nova operação contra garimpo ilegal em Manicoré e Humaitá

Publicado em 15/09/2025 às 17h47
Prefeitos repudiam ação da PF no Amazonas: ‘atacaram a cidade’
Foto: Divulgação / PF

Os prefeitos de Manicoré, Lúcio Flávio (PSD), e Humaitá, Dedei Lobo (União Brasil), repudiaram a nova operação da Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF) Força Nacional contra o garimpo ilegal na região sul do Amazonas. 

Segundo os gestores, a ação tem provocado terror nas cidades, deixado famílias desabrigadas e aumentado o número de atendimentos nos hospitais municipais. Também houve troca de tiros dos agentes de segurança contra garimpeiros, de acordo com relatos e imagens que circularam nas redes.

“Eles estouram bombas como se fosse uma guerra na Ucrânia. Agora dentro da cidade tem helicóptero dando rasante, bala de borracha nas pessoas, o clima mais feio do mundo, um clima de guerra. Isso já virou recorrente, mas agora foi pior, atacaram a cidade mesmo, o meio ambiente ‘combatendo’ o município de Humaitá”, afirmou para A CRÍTICA o prefeito Dedei Lobo.

De acordo com nota divulgada pela Polícia Federal, a operação realizada nesta segunda-feira (15) foi coordenada pelo Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia (CCPI Amazônia) e o Poder Judiciário. O novo órgão de segurança foi inaugurado pelo presidente Lula (PT) na terça-feira (9) passada. No mesmo dia, a Associação Amazonense de Municípios (AAM) pediu diretamente ao presidente o fim do uso de explosivos nas operações.

Foram destruídas ao menos 71 dragas no rio Madeira, no Amazonas, entre os municípios de Manicoré e Humaitá. A operação também se estendeu para Rondônia, mas os dados ainda não foram divulgados.

“É inaceitável o que está acontecendo. Tem mais de 20 mil litros de óleo derramando no rio, todo tipo de combustível, na frente da cidade. Tem pessoas dando entrada no hospital. Na cidade, é proibido soltar fogos por conta das crianças altistas e eles vêm e explodem as balsas, fazendo um barulho absurdo”, disse o prefeito de Humaitá.

Dedei Lobo diz que a operação inflama a cidade e ameaça até mesmo a vida dele e de familiares. Em maio do ano passado, após uma operação da Polícia Federal, garimpeiros ameaçaram invadir prédios públicos e cercaram o prefeito, cobrando uma atitude para cessar a operação.

Festividade

Procurado pela reportagem, o prefeito de Manicoré, Lúcio Flávio, repudiou a ação e classificou como “ilegal” a queima de balsas utilizadas por “extrativistas minerais familiares” ancoradas no Porto da Igreja Matriz Nossa Senhora das Dores. A operação ocorreu justamente no dia em que o município celebrava a festa da padroeira, Nossa Senhora das Dores.

“Essa operação colocou em risco a segurança da população local. As explosões decorrentes da queima das balsas criaram um sério risco de desbarrancamento, ameaçando a integridade física de quem reside nas proximidades do porto da Matriz”, criticou, em nota. 

Situação semelhante ocorreu em Humaitá, em maio do ano passado, quando uma operação da Polícia Federal coincidiu com a semana de aniversário do município, levando ao cancelamento das festividades. A reportagem entrou em contato com a PF, mas não obteve retorno até o momento. O espaço segue aberto para manifestações.