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A Crítica
Política

Quase metade da CMM sonha com outro cargo

Dos 41 vereadores de Manaus, ao menos 18 já manifestaram o interesse de disputar as eleições para a ALE e a Câmara Federal

Publicado em 05/06/2022 às 09h46
Quase metade da CMM sonha com outro cargo
Foto: Robervaldo Rocha / CMM

Dos 41 vereadores da Câmara Municipal de Manaus (CMM), 18 planejam disputar as eleições de outubro para a Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM) e a Câmara dos Deputados. Comparados com os candidatos sem mandato, os vereadores participam da campanha eleitoral com as vantagens que o cargo lhes proporciona.

Na prática, cada parlamentar tem direito a R$ 33 mil da Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar (Ceap), conhecido como cotão, e R$ 60 mil da verba de gabinete. Essa verba sustenta entre 20 a 45 assessores por gabinete de vereador.

No ano passado, no apagar das luzes da última sessão do ano, a CMM aprovou  a ampliação do número de servidores nos gabinetes. Anteriormente, o número era de 15 a 30 assessores parlamentares por gabinete.

Na mesma reunião, os vereadores ainda aumentaram de R$ 18 mil para mais R$ 33 mil o valor mensal da Ceap. No caso, os recursos do cotão  bancam desde gastos com telefonia, combustível até aluguel de veículos.

Além de vantagens previstas em leis aprovadas pela Casa, a Mesa Diretora ainda tentou, no ano passado, deixar picapes  de luxo à disposição dos vereadores. A licitação de R$ 4 milhões suspensa pela CMM, em setembro de 2021, após repercussão do caso, previa o aluguel de 41 veículos.

 

Convenções

 

Apesar de os vereadores sinalizarem pré-candidaturas, a confirmação das chapas proporcionais de deputado estadual e federal só serão confirmadas nas convenções partidária, que serão realizadas entre 20 de julho e 5 de agosto. Antes disso, as pré-candidaturas servem para  testar a aceitação do eleitorado.

Para o analista político,  Afrânio Soares, o lançamento de vereadores  como candidatos faz parte de um planejamento que visa ampliar a votação de toda a chapa.

“Uma chapa precisa ter o cabeça que é aquele que realmente a chapa quer que seja eleito, a barriga que são aqueles que são bem votados. Por exemplo, em uma chapa para deputado federal quem tem 50 mil votos, não se elege. A chapa precisa de alguém com essa votação para conseguir chegar ao quociente eleitoral e fazer um deputado federal ou estadual”, explicou Afrânio Soares. 

Presidente da Action Pesquisas, Afrânio Soares afirmou que, mesmo o vereador não sendo eleito, não há perda de mandato e que a priori é  os vereadores integrarem a chapa para compor essa “barriga de votação”’.

 

Puxadores

 

“Temos diversos casos nos quais os vereadores entraram, fizeram o seu papel de trazer uma quantidade de votos suficientes para a chapa eleger o mais votado que não foi um deles e não se elegeram e voltaram para as suas funções na Câmara Municipal”, completou.

Por conta da mudança na legislação eleitoral, os partidos só poderão lançar candidatos para o número de vagas em disputa mais um. Ou seja, no caso da Câmara dos Deputados, o número de vagas por partido ou federação é 9. Já para a ALE-AM, são 25 candidaturas. A legislação não permite mais coligações para esses cargos.