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Política

Tragédias anunciadas continuam sem solução em Manaus

Ex-diretor do Immu diz que falta fiscalização para resolver problema; prefeitura destaca radares e operações específicas

Publicado em 22/02/2025 às 11h40
Tragédias anunciadas continuam sem solução em Manaus
Foto: Divulgação

O engenheiro e especialista em trânsito Manoel Paiva e  ex-diretor do atual Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (Immu), defendeu que o trânsito de Manaus passe por uma fiscalização permanente nas principais vias da capital amazonense para coibir a série de acidentes dos últimos anos.

Nesta semana, duas carretas foram flagradas circulando no Distrito Industrial com seus contêineres soltos. Nos últimos anos, Manaus teve ao menos dois casos de grande repercussão de mortes provocadas pelo problema. 

Para Paiva, o fato de a capital ter vias limitadas e ainda ter a necessidade de circulação de carretas – fundamentais para “o abastecimento do nosso Polo Industrial, do nosso comércio, dos nossos prestadores de serviços” – implica na obrigação de uma fiscalização ostensiva por parte do Immu e das empresas de logística que operam em Manaus.

“Essas empresas de logística estão ou no entorno dos portos, ou na zona Oeste da cidade, ou no próprio Distrito Industrial. [É preciso que] façam o contato com esses operadores de qual é a legislação, de como é que o município disciplinou isso. Primeiro ponto é esse”, disse.

Manoel Paiva foi diretor técnico do Immu quando ainda se chamava Empresa Municipal de Transportes Urbanos (EMTU) entre 1980 e 1988, ao longo dos mandatos de José Fernandes, João Furtado, Amazonino Mendes, Manoel Ribeiro e Alfredo Nascimento, então interventor, chegando a presidir a instituição no último mandato de Arthur Virgílio Neto.

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Integração 

O especialista ressalta que esse trabalho integrado entre o poder público e o privado não tem a intenção de ensinar os motoristas profissionais a dirigir, mas disciplinar o funcionamento do trânsito. O segundo ponto para melhorar a fiscalização é colocar os agentes municipais em campo, mesmo com pouco efetivo.

“Como nós sabemos que o Instituto Municipal tem pouca gente para fiscalizar, então, evidentemente, há necessidade de se implantar nos principais corredores que estão liberados para os carros a fiscalização eletrônica, para poder monitorar essa operação do sistema viário. A fiscalização é fundamental para que haja esse aspecto. Se não tem fiscalização, não tem controle na operação, efetivamente vai haver [acidentes]”, apontou.

Manoel Paiva destacou que é justamente a falta dessa fiscalização permanente que permite cenas recorrentes no trânsito de Manaus: “carro mal colocado, utilização da tonelagem fora do padrão, fora da via”. O fato de haver pouca fiscalização também gera uma falta de informação aos condutores da cidade, fazendo com que ocorram acidentes como os da passagem de nível na entrada do bairro São Jorge, na zona Oeste da capital.

“Que opção teria quando acontece esse problema? Não tem, hoje, uma opção emergencial, uma ação municipal, uma ação do poder público para que vá lá e desobstrua a via o mais rápido possível. O grande problema é que ele gera um tremendo engarrafamento, tremendo transtorno, no entorno daquele ponto de acidente e prejudica todo mundo”, critica.

Prefeitura fez 30 abordagens

Nos últimos dois meses, segundo o Immu, foram registrados oito acidentes envolvendo carretas, sendo cinco tombamentos e três danos materiais. Nos sinistros, houve três vítimas lesionadas e uma vítima fatal. Na última semana, um vídeo viralizou nas redes sociais mostrando duas carretas circulando no bairro Distrito Industrial com os contêineres soltos das amarras.

O Immu informou que já realizou mais de 730 abordagens desde o início do ano, resultando em 182 autuações e remoção de 37 caminhões e carretas para o parqueamento, “retirando de circulação riscos a outros condutores, pedestres e demais moradores da cidade” de Manaus.

Na última semana, o Immu realizou a Operação Carga Pesada na avenida General Rodrigo Otávio, nas proximidades da Base Área de Manaus, para fiscalizar veículos de grande porte, com apoio da Guarda Municipal de Manaus (GCM) e do Batalhão de Policiamento de Trânsito (BPTran), vinculada ao Departamento de Trânsito do Amazonas (Detran-AM). Só nesta operação foram abordados 282 veículos de grande porte e emitidas 57 autuações.

O diretor de operações do órgão, Stanley Ventilari, explicou que o local foi escolhido por ser uma via de intensa passagem de veículos pesados e que essas “operações são rotineiras em todas as áreas da cidade”.

“Percebemos muitos veículos, caminhões e carretas andando com pneu totalmente desgastado, com péssima condição de conservação; assim como veículos sem a documentação regularizada; outros com licenciamento atrasado e ainda encontramos vários condutores sem possuir a CNH”, afirmou.

Em números
À reportagem, a Prefeitura de Manaus também informou que já instalou sete radares ao longo da avenida do Turismo, na zona Oeste da capital. O trecho é comumente utilizado pelas carretas. 

 

Ex diretor do Immu sugere mais atenção no PIM

O engenheiro avaliou que o estado precisa investir recursos em fiscalização eletrônica em locais como a rua Felismino Soares e a estrada do Paredão, que dá acesso aos portos privados Chibatão e SuperTerminais, além de melhorar “as condições de trafegabilidade e segurança para carretas, pedestres, para pessoas que moram ali, trabalham ali, passam ali”.

“Lá matou gente, leva transtorno todo dia. Se você conversar com os dois operadores dos dois corredores, os caras não têm jeito de fazer. Ou seja, isso daí tem que haver um comprometimento de melhoria física. É um ponto crítico que atrapalha todo o processo de abastecimento do Polo Industrial, da cidade. Atrapalha o trânsito em geral, trava a circulação das pessoas. Então é preciso ação conjunta, periódica, pontual, constante. Isso é um dado”, explica.

A expansão da malha viária é outro investimento por parte do estado que ajudaria a desafogar o trânsito de Manaus e retirar as carretas das vias internas da capital. Paiva destaca que com o fim da construção do Rodoanel Metropolitano, cuja segunda etapa está com 51% das obras prontas, poderá tirar o transporte carga pesada “do miolo” do município.

“Isso é uma operação viária. A operação viária é fiscalização, orientação, são batedores que estão ali para prestar serviço se tiver um acidente que está obstruindo a via. Operação se faz ou eletronicamente, mas também pessoalmente com os agentes de trânsito que possam fiscalizar. Ou seja, tem que ser aumentado o número de agentes para que, efetivamente, eles possam não multar, mas possam orientar e destravar os problemas que acontecem diariamente nessa operação, que é confusa”, disse.