Congresso médico debate sobre eventos adversos que podem ocorrer durante uma internação
I Congresso Norte de Qualidade e Segurança do Paciente acontece na capital amazonense até sábado (23)
Como forma de evitar que eventos adversos aconteçam dentro de hospitais, que médicos e profissionais de saúde estão reunidos no I Congresso Norte de Qualidade e Segurança do Paciente que acontece até sábado (23), em Manaus.
O encontro é realizado pela Qualipaciente Amazonas, com apoio do Hospital Albert Einstein, de São Paulo e inúmeras instituições de saúde foram convidadas a participar do evento que tem como objetivo discutir e melhorar a cultura da segurança do paciente nos hospitais.
E as discussões iniciaram com o termo ‘eventos adversos’, que conforme a médica intensivista Liane Cavalcante e coordenadora do Simpósio, trata-se de qualquer situação que ocorre durante a internação do paciente e não está relacionada com o motivo pelo qual ele foi internado.
“A infecção hospitalar é um exemplo de evento adverso e ele não está relacionado com a internação do paciente. Toda a infecção adquirida após 48 horas de internação é considerada infecção hospitalar e pode estar relacionada com um erro de medicação, dosagem, aplicação e dependendo de quem está recebendo o quê, os efeitos vão de leves a óbito”, afirmou.
Tabu
Ainda conforme a médica intensivista, grande parte dos erros médicos não são intencionais e destaca que o assunto é tabu entre a comunidade médica e deve ser pautada afim de que eventos adversos sejam evitados.
“Para minimizar nossos erros, nós precisamos de estrutura, de investimento na qualidade, de acreditação hospitalar que é uma das ferramentas da qualidade”, afirmou a médica Liane Cavalcante, que acrescenta que todos são responsáveis pela segurança do paciente.
“Existe ainda um tabu em cima do tema e não existe especialidade, se você é médico, enfermeiro, fisioterapeuta, maqueiro, qualquer pessoa que lida com o ser humano dentro de uma instituição de saúde, ele tem obrigadação com a segurança do paciente”, concluiu Cavalcante.
Cultura da Segurança
Durante a abertura do evento, ocorrido na última quinta-feira (21), foi abordado o tema central: “Conectando os pontos para a segurança do paciente: pessoas, processos e tecnologia” pelo amazonense e médico Carlos Hiran Goes de Souza.
Goes que também é CEO da Accreditation Pathways Institute, de Portugal e especialista em Planejamento e Administração de Saúde. O médico destacou as práticas de segurança do paciente realizadas na Europa que podem ser bons exemplos para o Brasil.
“O que podemos trazer da Europa é um pouco da cultura e o pensamento da qualidade que temos ainda que criar internamente no Norte do país. Eu acho que tem muito trabalho a ser feito com os profissionais e gestores, criar uma cultura não é uma lei, mas gerenciar o relacionamento humano. E precisamos criar isso”, explicou o médico Carlos Hiran Goes na abertuda do evento.
O médico apontou ainda durante o evento a importância de boas prática de governança hospitalar para uma cultura de segurança do paciente. “Os gestores tem que criar políticas, os meios de controle dentro dos hospitais e só um trabalho com recursos humanos estratégicos é que vamos conseguir realizar trabalhos que possam ser satisfatórios”, comentou Carlos Hiran Goes.