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A Crítica
Saúde

Envelhecimento torna mais complexo o tratamento da próstata aumentada

Especialistas alertam que o aumento das comorbidades e do uso de múltiplos medicamentos exige tratamentos seguros e individualizados para homens com hiperplasia prostática benigna (HPB).

Publicado em 20/07/2026 às 14h00
Envelhecimento torna mais complexo o tratamento da próstata aumentada
Foto: Divulgação/ Sedel

A hiperplasia prostática benigna (HPB) é uma das condições mais frequentes do envelhecimento masculino, atingindo cerca de 50% dos homens após os 50 anos e alcançando prevalências ainda maiores nas faixas etárias mais avançadas². Embora não seja uma doença maligna, seu impacto é significativo: os sintomas urinários podem comprometer o sono, a produtividade, a vida social e, sobretudo, a autonomia funcional do paciente.

O aumento da expectativa de vida e o crescimento da população idosa no Brasil reforçam esse cenário. Segundo projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população com 60 anos ou mais deverá representar cerca de um terço dos brasileiros até 2050. Esse panorama amplia a relevância do tema e aumenta a pressão sobre o sistema de saúde em relação ao diagnóstico e ao manejo de doenças associadas ao envelhecimento.

Nesse contexto, além do aumento da prevalência da HPB, também cresce a complexidade do diagnóstico e do tratamento da doença, especialmente em pacientes que convivem com outras enfermidades crônicas.

Após os 60 anos, é comum que os homens apresentem hipertensão, diabetes, dislipidemias e doenças cardiovasculares, fazendo uso de múltiplos medicamentos⁵˒⁶. Esse perfil clínico torna a tomada de decisão terapêutica mais complexa e exige uma avaliação cuidadosa dos riscos e benefícios de cada tratamento.

“O grande desafio não é apenas controlar os sintomas da HPB, mas fazer isso sem comprometer a saúde e a independência do paciente. Como muitos homens acima dos 60 anos já fazem uso de diversos medicamentos para outras condições, a escolha do tratamento precisa levar em conta não apenas a eficácia, mas também a segurança e o potencial de interações e efeitos adversos”, explica a médica urologista e especialista pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), Dra. Samira Posses.

No entanto, para que o tratamento seja iniciado no momento mais adequado, o diagnóstico precoce é fundamental. Embora seja uma condição comum no envelhecimento masculino, a HPB também evidencia um desafio recorrente na saúde do homem: muitos pacientes demoram a procurar atendimento e tendem a minimizar os sintomas urinários.

Como consequência, o diagnóstico frequentemente ocorre de forma tardia, quando muitos desses pacientes já convivem com outras doenças crônicas e fazem uso de múltiplos medicamentos. Esse cenário reforça a importância da prevenção, do acompanhamento regular e da identificação precoce dos sintomas para um tratamento mais seguro e eficaz.

HPB: o que é e como se manifesta

A hiperplasia prostática benigna (HPB) é caracterizada pelo aumento não cancerígeno da próstata, condição comum em homens a partir da meia-idade e progressivamente mais frequente com o avanço da idade².

Entre os principais sintomas estão dificuldade para iniciar a micção, jato urinário fraco ou interrompido, aumento da frequência urinária, urgência para urinar, sensação de esvaziamento incompleto da bexiga e noctúria — necessidade de acordar várias vezes durante a noite para urinar².

Os riscos além dos sintomas urinários

A noctúria está entre os sintomas mais relevantes da HPB e impacta diretamente a qualidade do sono e a rotina do paciente idoso². Levantar durante a noite para urinar aumenta a exposição a quedas, um dos principais eventos adversos nessa população³.

Além disso, alguns medicamentos utilizados por esses pacientes podem favorecer episódios de hipotensão ortostática, caracterizada pela queda da pressão arterial ao se levantar rapidamente. Em idosos, esse fenômeno pode provocar tontura e aumentar ainda mais o risco de quedas³.

A evolução do tratamento com foco na segurança

Nos últimos anos, o tratamento medicamentoso evoluiu com a introdução de terapias mais seletivas para o trato urinário inferior, priorizando um perfil de segurança mais adequado para pacientes idosos. A escolha do tratamento passou a considerar não apenas a eficácia, mas também as comorbidades e o uso concomitante de outros medicamentos.

“Muitos homens acreditam que acordar três ou quatro vezes à noite para urinar faz parte da idade, mas não faz. Existem tratamentos eficazes, seja com medicação ou cirurgia. Quanto mais precoce for o diagnóstico, maiores são as chances de preservar a qualidade de vida”, ressalta Samira.

O tratamento da hiperplasia prostática benigna inclui mudanças no estilo de vida, medicamentos e, em casos selecionados, cirurgia². Entre as opções farmacológicas, os alfa-bloqueadores estão entre os medicamentos mais utilizados por promoverem o relaxamento da musculatura da próstata e melhorarem o fluxo urinário.

Nesse contexto, a silodosina é uma das opções terapêuticas disponíveis para o tratamento dos sinais e sintomas da HPB. De acordo com a literatura científica, trata-se de um alfa-bloqueador seletivo para receptores do trato urinário inferior, cuja utilização deve ser avaliada pelo profissional de saúde conforme as características clínicas de cada paciente.

A autonomia como desfecho clínico

Além do controle dos sintomas urinários, o tratamento da HPB busca preservar a independência funcional e a qualidade de vida do paciente.

“Controlar os sintomas urinários é apenas uma parte do tratamento. O que buscamos é permitir que esse homem continue vivendo com independência, mantendo sua rotina e atividades, como dirigir, viajar, praticar exercícios físicos e conviver com a família. Quando conseguimos preservar essa autonomia, também estamos contribuindo para um envelhecimento com mais qualidade de vida”, destaca a médica urologista Samira Posses.

De acordo com especialistas, homens que apresentem sintomas urinários persistentes devem procurar avaliação médica para investigar a causa e definir a conduta mais adequada para cada caso. O diagnóstico precoce e o tratamento individualizado são fundamentais para controlar a progressão da doença, reduzir o impacto dos sintomas na qualidade de vida e oferecer a abordagem mais adequada para cada paciente.