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A Crítica
Saúde

HPV: O vírus silencioso que atinge milhões e pode levar ao câncer

Especialista alerta para os riscos do HPV, formas de prevenção e a importância do diagnóstico precoce.

Publicado em 22/03/2025 às 17h10
HPV: O vírus silencioso que atinge milhões e pode levar ao câncer
Foto: FREEPIK

O Papilomavírus Humano (HPV) é um dos vírus sexualmente transmissíveis mais comuns no mundo, afetando milhões de pessoas. Com mais de 200 tipos identificados, o HPV pode causar verrugas genitais e, em casos mais graves, levar ao desenvolvimento de câncer. Entender o HPV, suas formas de transmissão, sintomas, diagnóstico e tratamento é fundamental para prevenir e controlar essa doença.

Recentemente, a influenciadora digital Aline Campos revelou que passou por uma cirurgia para remover uma lesão pré-cancerígena causada pelo vírus HPV. Com o objetivo de conscientizar as mulheres sobre a importância de cuidar da saúde, Aline destacou que o HPV é um vírus comum, afetando cerca de 80% das mulheres sexualmente ativas em algum momento da vida. Além disso, ela enfatizou a importância das formas de proteção.

“O problema é que alguns tipos do HPV podem causar lesões graves, como foi o meu caso e podem até evoluir para um câncer de colo do útero. Mas o motivo de eu estar abrindo isso aqui para vocês, gente, é porque ele pode ser evitado, tá? E existem várias formas de se proteger”, disse ela.

Transmissão

De acordo com a ginecologista e obstetra Dra. Sandra Rios, existem mais de 200 tipos de HPV, sendo que cerca de 40 afetam a região anogenital. “A transmissão ocorre principalmente por contato direto com a pele ou mucosa infectada, sendo a via sexual a mais comum. Isso inclui sexo vaginal, anal e oral, mesmo sem penetração completa”, alerta a médica.

Outras formas de transmissão incluem: contato pele a pele em regiões não cobertas pelo preservativo; compartilhamento de objetos íntimos, como toalhas ou roupas íntimas, embora seja raro; e transmissão vertical (da mãe para o bebê no parto vaginal), que pode causar papilomatose respiratória recorrente na criança. O HPV pode permanecer latente no organismo por anos sem causar sintomas, dificultando a identificação do momento exato da infecção.


A ginecologista e obstetra Dra. Sandra Rios (@dra.sandrarios) atende no consultório MS Medical (Foto: Divulgação)

 

Sintomas

Segundo Rios, a maioria das infecções pelo HPV é assintomática e o próprio sistema imunológico elimina o vírus em até dois anos. “No entanto, quando há sintomas, os principais incluem verrugas genitais (condilomas acuminados), que são pequenas lesões que podem ser únicas ou múltiplas, planas, elevadas ou com aspecto de “couve-flor”, e podem surgir na vulva, vagina, pênis, ânus e região perianal”, diz ela.

“Além disso, também podem ocorrer lesões subclínicas, não visíveis a olho nu, mas detectadas em exames como o Papanicolau ou colposcopia, e lesões precursoras do câncer, causadas pelo HPV de alto risco (como os tipos 16 e 18), que podem evoluir para câncer”, acrescenta.

O HPV de baixo risco causa verrugas, enquanto o de alto risco está associado a câncer de colo do útero, vulva, vagina, ânus, pênis e orofaringe. A Dra. Sandra enfatiza: “o câncer do colo do útero é uma das principais consequências do HPV de alto risco, sendo uma das maiores causas de morte por câncer em mulheres no mundo”. Além disso, é importante notar que o diagnóstico em homens é mais difícil, pois não há exames de rotina para HPV e o vírus pode estar presente sem causar sintomas.

Prevenção

Os grupos mais vulneráveis incluem mulheres jovens sexualmente ativas, devido à alta incidência nos primeiros anos após o início da vida sexual. Além disso, pessoas com múltiplos parceiros sexuais, pessoas imunossuprimidas (como portadores de HIV ou transplantados), homens que fazem sexo com homens (HSH), pois há maior risco de infecção anal, e fumantes, pois o tabagismo reduz a imunidade local, favorecendo a persistência do vírus.

Dra. Sandra ensina formas para se prevenir. “As principais estratégias de prevenção incluem a vacinação, que é altamente eficaz quando administrada antes do início da vida sexual, a partir dos 9 anos de idade. Além disso, o uso consistente de preservativos de látex durante as relações sexuais pode reduzir o risco de transmissão, embora não ofereça proteção completa. Por fim, a abstinência ou redução do número de parceiros sexuais também pode diminuir significativamente o risco de contrair o HPV”.

Terapias inovadoras

A vacinação é a principal forma de prevenção contra os principais tipos de HPV oncogênicos. Estão sendo estudadas e utilizadas diversas terapias inovadoras para o tratamento do HPV, incluindo vacinas terapêuticas, imunoterapias personalizadas e tratamentos tópicos.

“Entre elas, destacam-se a vacina quadrivalente, disponível no SUS, que protege contra os tipos 6, 11, 16 e 18 do HPV, e a vacina HPV9, que oferece proteção contra 9 tipos de vírus HPV. Além disso, ampolas imunomoduladoras são utilizadas para fortalecer a resposta imunológica do organismo contra o HPV, auxiliando na eliminação do vírus e na regressão das lesões, enquanto o imiquimode, um imunomodulador tópico, estimula a resposta imune local”, destaca Rios.

Ela complementa: “Já para o tratamento de verrugas genitais e lesões associadas ao HPV, são utilizadas técnicas como cauterização de jato de plasma, eletrocauterio e exérese por cirurgia das verrugas”.

É fundamental entender que não existe um tratamento específico para o HPV, mas sim abordagens direcionadas a tratar as manifestações clínicas do vírus e reduzir o risco de transmissão. Portanto, a prevenção, o diagnóstico precoce e o tratamento das lesões associadas ao HPV são essenciais para controlar a doença e prevenir complicações graves.