Japão e comunidade Nikkei criam associação médica no Amazonas
Entidade filantrópica vai atuar em saúde, pesquisa científica e valorização cultural, fortalecendo os laços entre Japão e Amazônia
O consulado – geral do Japão em Manaus oficializou, nesta quarta-feira (20), a criação da Associação Médica Nikkei do Amazonas. O foco da entidade é promover a saúde, incentivar a pesquisa científica e preservar a cultura japonesa.
A iniciativa surgiu da própria comunidade nikkei no estado, ou seja, os descendentes japoneses. De acordo com o presidente e um dos membros fundadores da associação recém oficializada, o médico oncologista William Fuzita, a área da saúde é comum para muitos dos filhos e netos dos emigrantes, são profissionais que já atuam na capital e também em diversos municípios do interior. Com base nessa familiaridade, surgiu a ideia de criar uma entidade que pudesse reunir essas pessoas e o trabalho que é realizado.
“A gente sabe que o Amazonas tem suas particularidades como populações vulneráveis, ribeirinhas e indígenas e a gente, através da associação, vê uma grande oportunidade de poder levar saúde, conhecimento e equidade para todo mundo que mora aqui nessa região do norte”, comentou Fuzita.

William Fuzita – Presidente da Associação (Foto: Paulo Bindá)
A atuação da associação, sem fins lucrativos, é filantrópica. A proposta é apoiar toda atividade que possa fomentar saúde, educação e cultura para o público alvo. Ela vai funcionar com auxílio de parcerias públicas e privadas, grupos de voluntários e iniciativas de outras naturezas. O tom é agregar conhecimento e força de trabalho para beneficiar a comunidade amazonense.
A pesquisa é uma das principais vertentes de atuação da entidade. Entre as primeiras já realizadas está o estudo sobre o tipo de câncer de pulmão presente nos moradores da região amazônica. Fuzita explicou que a característica desse tipo de enfermidade para esta comunidade é diferente das demais no Brasil por causa de uma mutação. Essa diferença foi percebida pelos médicos e pesquisadores que hoje fazem parte da associação e a informação pode ajudar na criação de estratégias mais eficientes para tratamento.
“É um câncer que tem uma incidência maior de uma mutação genética que chama EGFR, enquanto que aqui no Amazonas é 45%, no resto do Brasil é 15% a 20%. Isso chama atenção porque esses tipos de tumores, às vezes, não tem relação com o tabagismo”, comentou.
Para o mês de setembro deste ano já há previsão de uma ação na comunidade do Tumbuira, em Iranduba, com parceria da Associação Médica Nikkei do Amazonas, Banco Bradesco, Fundação Amazônia Sustentável e outros parceiros. A iniciativa vai levar entretenimento, prática de esporte como prevenção contra doenças e dicas sobre a saúde.
130 anos de amizade entre Brasil e Japão
A criação da entidade ocorre no contexto da celebração dos 130 anos de relações diplomáticas entre os dois países. O cônsul-geral do Japão em Manaus, Yuichi Miyagawa, destacou que essa é uma forma de retribuir toda a hospitalidade e atenção que o Brasil (e especialmente o Amazonas) prestou aos primeiros japoneses que se realocaram aqui. De acordo com ele, atualmente são 50 mil descendentes que vivem na região amazônica.

Yuichi Miyagawa – Cônsul- Geral do Japão em Manaus (Foto: Paulo Bindá)
“Isso é muito significativo, até agora a comunidade nikkei contribuiu muito na agricultura, na Zona Franca de Manaus, muitas empresas japonesas contribuem para o desenvolvimento econômico da região e agora, com a associação, o consulado segue fortalecendo os laços entre Japão e região amazônica”, disse o cônsul-geral.
Em 2029 vai ser celebrado o centenário da imigração japonesa para a região amazônica e o consulado deve intensificar as iniciativas que reforcem o pacto de amizade entre os países. Novas propostas, como a própria associação, podem surgir dentro dos planejamentos para a celebração da data.