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A Crítica
Saúde

Requentar a comida faz mal? O que você precisa saber

Nutricionista explica os riscos, cuidados e vantagens de reaquecer alimentos preparados no dia anterior, e como manter a segurança alimentar na rotina

Publicado em 02/08/2025 às 19h38
Requentar a comida faz mal? O que você precisa saber
Foto: Banco de Imagens/Freepik

Na correria da rotina, abrir a geladeira e reaproveitar a comida do dia anterior pode ser um alívio. Além de prático, o hábito pode ser um aliado na construção
de uma alimentação mais equilibrada e sustentável. Mas será que esquentar as sobras é mesmo seguro? E o valor nutricional, será que se mantém? 

Segundo o nutricionista Leonardo Fernandes, sim, quando feito com os devidos cuidados, o reaquecimento de alimentos é uma prática segura tanto do ponto de vista sanitário quanto nutricional. O segredo está em respeitar o tempo, a temperatura e o armazenamento adequado dos alimentos. A seguir, o profissional responde às principais dúvidas sobre o tema.

Reaquecer a comida preparada no dia anterior é uma prática segura do ponto de vista nutricional e sanitário? Quais cuidados são indispensáveis?

“O reaquecimento de alimentos preparados no dia anterior é uma prática comum e, quando realizado corretamente, é seguro do ponto de vista nutricional e sanitário. O principal cuidado envolve o controle de temperatura
e tempo: alimentos que permanecem por mais de quatro horas abaixo de 60 °C favorecem a proliferação de bactérias como Salmonella, Shigella, Escherichia coli, Staphylococcus aureus e Clostridium, que podem causar diarreia, vômitos, cólicas e febre. Para evitar esses riscos, é essencial
armazenar o alimento ainda morno na geladeira, sem deixá- lo atingir a temperatura ambiente, e utilizar recipientes higienizados.

Quais alimentos não são recomendados para o reaquecimento,
seja por risco de contaminação ou perda significativa de nutrientes?

“Ovo, frango, arroz e peixes em geral. Esses alimentos, especificamente, têm maiores chances de causar intoxicação alimentar, então os cuidados quanto ao tempo de preparo até o armazenamento devem ser redobrados. Com relação à perda de nutrientes, legumes como brócolis, espinafre e couve-flor sofrem redução das vitaminas C e B ao serem reaquecidos.”


Leonardo Soares Fernandes é nutricionista pós graduando em Gestão em Segurança Alimentar (Foto: Arquivo Pessoal)

Existe uma forma ideal de armazenar os alimentos para garantir que eles possam ser reaquecidos com segurança no dia seguinte?

“Algumas dicas para armazenar: transferir os alimentos das panelas para recipientes previamente higienizados — é comum, no dia a dia, colocar a panela diretamente na geladeira, porém isso não é adequado. É importante também separar os grupos alimentares, utilizando um recipiente para cada tipo de alimento, pois armazenar um prato pronto com diferentes itens aumenta ainda mais o risco de intoxicação. Além disso, é fundamental verificar se a
geladeira está funcionando de maneira adequada. Carnes e aves, por exemplo, devem ser colocadas na parte mais fria da geladeira, onde a temperatura é menor que nos espaços comuns”.

O micro-ondas é uma opção segura para reaquecer os alimentos ou existem restrições nesse tipo de aquecimento?

“O reaquecimento de uma comida previamente preparada deve ser feito de forma que todo o alimento atinja uma temperatura segura, sem deixar partes frias. Por isso, ao utilizar o micro-ondas, o ideal é realizar aquecimentos curtos, de 1 a 2 minutos, verificando se o alimento está uniformemente aquecido. A cada intervalo, é importante mexer o alimento e repetir o processo, se necessário”.

De que forma o planejamento de refeições e o reaproveitamento
consciente contribuem para uma rotina alimentar mais saudável e sustentável?

“O planejamento e o reaproveitamento de refeições são grandes aliados de uma dieta saudável, especialmente para pessoas com uma rotina corrida, que não têm tempo de cozinhar todos os dias. Esses hábitos ajudam a evitar o consumo de alimentos industrializados e a fuga da dieta. No entanto, é importante atentar-se às dicas de armazenamento adequadas e, em caso de dúvidas, sempre consultar um nutricionista”.