Saúde ou bodybuilding? Eis a questão
Não dá para negar: a influência da internet está diretamente ligada ao aumento do número de pessoas que decidiram levantar do sofá e ir treinar. E isso é uma coisa ótima, significa menos sedentarismo e mais saúde.
Falar de saúde e bem estar é especialidade deste colunista que vos escreve. Antes de trazer um assunto novo para os leitores da Quarta Fit, eu pesquiso durante a semana anterior, filtro as tendências de saúde, vejo o que está acontecendo no mundo da maromba, no mundo dos blogueiros fitness e, também, no mundo do bodybuilding, afinal, a musculação é um dos temas principais desta página.
O tema saúde tem estado em alta mais do que nunca no Brasil e no mundo. Isso se deve, principalmente, à democratização do acesso à informação sobre dieta e treino, ao grande número de ‘influencers’ fitness que surgem diariamente e, também, à popularização do fisiculturismo enquanto esporte. Muitos que estão entrando agora na academia conheceram o mundo da musculação através de personalidades da internet como Léo Stronda, Toguro, Renato Cariani, Júlio Balestrin, Ramon Dino, Cbum e entre outros atletas e influenciadores digitais que ganham a vida falando de treino e dieta.
Não dá para negar: a influência da internet está diretamente ligada ao aumento do número de pessoas que decidiram levantar do sofá e ir treinar. E isso é uma coisa ótima, significa menos sedentarismo e mais saúde. Do mesmo modo, a cada dia surgem pessoas que decidiram ser atletas de bodybuilding justamente por conta dos mesmos personagens citados acima. Então quer dizer que bodybuilding é sinônimo de saúde? Não necessariamente.
Quando se fala de saúde, o mais lógico é associar ao estilo de vida fitness, que inclui reeducação alimentar, treino de musculação diário, cardio, corrida, caminhada e até crossfit. Basicamente, toda atividade que envolva movimento gera gasto calórico, ou seja, queima gordura corporal, gerando assim mais saúde ao praticante e evitando doenças como diabetes, hipertensão, câncer e até ansiedade. Isso não sou eu quem digo, é a Organização Mundial da Saúde-OMS.
Porém, quando falamos de bodybuilding, ou fisiculturismo, estamos falando de um esporte de alto rendimento. Como todo esporte nesse nível, o fisiculturismo exige grande preparo do atleta, incluindo treinos diários, cardios intensos, dieta calculada, uso de suplementação e até medicamentos ergogênicos.
O fisiculturismo é um esporte que testa os limites do corpo humano, levando o atleta a enfrentar situações extremas que não são saudáveis, como afirma Aderbal Jr., nutricionista esportivo e treinador: “No bodybuilding você leva seu corpo aos extremos, desde o ‘bulking’ [fase onde o atleta come mais], até o ‘cutting’ [fase onde o atleta come menos] e a ‘depletação’ [fase onde o atleta começa a desidratação para secar o físico ao máximo antes de subir no palco] e isso tudo não é saudável”. Aderbal treina musculação há 25 anos e compete no bodybuilding há oito.

Aderbal Jr, nutricionista esportivo e treinador físico (Foto: Junio Matos/A CRÍTICA)
Okay, eu entendo que esse esporte cresceu muito nos últimos anos e toda a mídia em volta dele também aumentou, entretanto é preciso ter cuidado. Diariamente vemos na internet adolescentes entre 12 e 17 anos colocando suas vidas em risco, entrando muito cedo no mundo dos ‘danones’. Aí o garoto assiste aos vídeos dos treinos do Cbum e do Ramon e tenta imitar nas academias, se forçando a erguer altas cargas e falhando miseravelmente, óbvio. Um atleta de bodybuilding não se constrói do dia para a noite, isso leva anos, muitos anos de treino e dieta antes mesmo de começar as aplicações.
O amazonense Tom Freitas compete no bodybuilding há cinco anos e conquistou diversos prêmios. Para ele, uma preparação tem seus perrengues se não for acompanhada por um profissional. “A desidratação é a parte mais difícil que um atleta enfrenta, mas se você estiver sendo bem acompanhado e estiver fazendo um bom trabalho durante a preparação, não há riscos durante a finalização. As pessoas demonizam o esporte quando um atleta falece, pois há uma viralização instantânea, mas a preparação, se for bem feita, é saudável e só há riscos se o atleta não tiver o acompanhamento adequado”, relatou o atleta de 26 anos.
Para ser um atleta de fisiculturismo é preciso ter diversos cuidados, como exames de rotina, consultas médicas e nutricionais. O acompanhamento profissional adequado é indispensável para que o atleta não corra risco de vida, como afirma o treinador e nutricionista Aderbal Jr. “É importante buscar uma pessoa formada e credenciada que entenda e estude a área [do bodybuilding] para poder te orientar. Muitas pessoas hoje em dia se denominam ‘coaches’ ou preparadores físicos, mas não têm graduação ou preparo. Se a preparação for bem feita e bem acompanhada por um profissional, com todo um tempo de trabalho, o atleta não corre riscos”, finalizou Aderbal Jr.
Pegou a visão, frangolino? Agora já entendemos que a saúde e o fisiculturismo conversam entre si em alguns momentos, em outros nem tanto, porém o segredo todo está no acompanhamento profissional. É uma pena que atletas tão promissores faleçam precocemente por falta de auxílio profissional adequado, pois o bodybuilding está crescendo mais do que nunca e o Brasil conta com diversos talentos para o esporte. Minhas condolências às famílias de todos os atletas que perderam a vida até agora. E fica o alerta para os aspirantes e futuros bodybuilders brasileiros.