“Tô treinando todo dia, mas não vejo resultado!”
Educador físico alerta sobre práticas comuns que podem comprometer o desempenho e os resultados dos treinos
Começar na academia costuma ser cheio de expectativas: perder peso rápido, ganhar massa muscular em pouco tempo e notar mudanças visíveis logo nas primeiras semanas. Mas a realidade é outra: transformar o físico e melhorar a saúde vai muito além do que o espelho mostra. O verdadeiro segredo está em criar um hábito duradouro e manter o compromisso constante.
A pesquisa “Saúde e Trabalho”, realizada pelo SESI em 2023, revelou que entre os brasileiros que se exercitam regularmente, apenas 22% praticam diariamente, 13% treinam pelo menos três vezes por semana, e 8% fazem atividades físicas duas vezes por semana. De acordo com o educador físico e personal trainer, Anderson Téu, os resultados visíveis demoram um pouco para aparecer, porém a chave está na constância dos treinamentos.
“Resultados consistentes só aparecem após oito a 12 semanas de sessões contínuas, quando é possível perceber ganhos reais em fibras musculares ou redução de gordura corporal”, explicou.

(Foto: Arquivo pessoal)
Mas mesmo quem já está na rotina de exercícios há um tempo pode estar cometendo erros que atrapalham o progresso. Seja intervalos de descanso, sequência de treinamento ou até alimentação, afinal, construir um shape depende de diversos fatores, além da musculação.
A seguir, Anderson aponta os cinco deslizes mais comuns e como evitá-los para acelerar seu rendimento:
1. Repetir sempre a mesma rotina
Fazer a mesma série de exercícios por muito tempo limita os ganhos porque o organismo se adapta rápido. “O corpo se ajusta com facilidade, é preciso variar para continuar estimulando o crescimento. Para continuar evoluindo é fundamental mudar os movimentos, a intensidade ou até a estrutura da prática. O ideal é alterar o treino a cada três meses para garantir que o corpo continue sendo desafiado”, explica.
Isso se chama ‘mudança de estímulo’ e é uma técnica muito utilizada, embora hajam profissionais que discordem dessa vertente e mantenham sempre o mesmo treino para o aluno o ano inteiro. Essa mudança de treino trimestral serve, inclusive, para deixar o treino mais diversificado e menos maçante para o aluno.
2. Executar os movimentos com postura incorreta
A execução precede a carga! Tenha essa frase na mente, frangolino. Não adianta meter 100kg no supino se não for executar com a amplitude correta. É para treinar o músculo, não o ego no teu tiktok. Focar apenas na carga, sem atenção à técnica, pode causar dores e prejudicar os ganhos, ainda de acordo com Téu.
“Mais do que a carga, o método correto garante efeitos reais. Observar o alinhamento, contrair o abdômen e controlar a execução são ações imprescindíveis. Um movimento mal feito pode ser ineficaz e gerar dores ou sobrecarga em regiões erradas”, orienta o profissional.
3. Não respeitar o intervalo para recuperação
Descansar entre as séries é importante para o desenvolvimento muscular e prevenção de lesões. Sem afobação, musculação não é corrida, são esportes diferentes e a velocidade das execuções não importa. Faz na manha, descansa direito e aí repete a série. O músculo cresce no descanso, não no ataque a ele.
“O tecido muscular se fortalece no repouso. Sem pausa adequada, o corpo entra em fadiga, o que impede o progresso e aumenta o risco de lesões. Não é recomendado treinar sete vezes por semana, respeitar o intervalo é importante”, reforça o especialista.
4. Focar apenas em um tipo de prática
A combinação de força, mobilidade e exercícios aeróbicos garantem melhor aproveitamento e menos vulnerabilidades a longo prazo.
“Treinar só força ou só cardio não basta. O ideal é um plano equilibrado que inclua mobilidade, musculação, atividades aeróbicas. Por exemplo, uma hora pode ser dividida entre 30 minutos de exercícios de resistência e 30 minutos de cardio, tudo ajustado conforme o seu objetivo. Isso resulta em um físico mais saudável, com melhor performance funcional”, afirma.
Além disso, Téu reforça que o treinamento só traz conquistas efetivas quando aliado a uma alimentação adequada, que fornece os nutrientes necessários. “E, acima de tudo, a genética é um ponto importante, por isso não devemos nos comparar aos outros”, finalizou o personal.
*com informações da assessoria