Visando enfrentar a nova crise humanitária, o governo de Portugal vai construir armazéns para estocar alimentos, como cereais e sardinha em lata. Ao contrário de outros países europeus, os lusitanos não possuem reservas estratégicas para garantir alimentos para a população em situações de crise.
O investimento na estrutura deve custar 200 milhões de euros. Além de novos armazéns, serão reformados silos de cereais que já existem e estão em condições ruins, conforme prevê a proposta do Plano de Transformação, Recuperação e Resiliência, a pedido da FIPA (Federação das Indústrias Portuguesas Agro-Alimentares).
A iniciativa entrou na pauta após as tempestades do inverno passado e do apagão registrado no mês de abril. Para além disso, a Fipa já vinha propondo algo do tipo desde os tempos da pandemia, o que se intensificou após a escalada do conflito entre Ucrânia e Rússia, no leste do Velho Continente.

Segundo a federação, o governo deve promover um programa de segurança alimentar e “sobretudo incentivos com vista à criação de reservas estratégicas”, por conta da elevada dependência externa do país, particularmente em relação aos cereais. Os estoques de segurança têm sido estabelecidos, em parte, por empresas privadas.
Armazéns serão construídos até 2029
O objetivo do governo é que a iniciativa seja concluída até 2029, conforme prevê o planejamento de investimentos de médio prazo. Além dos recursos destinados à infraestrutura estatal, o setor privado também receberá uma compensação pela quantidade de alimentos armazenados, como uma espécie de renda.
Um dos principais produtos a serem armazenados visando a segurança alimentar da população portuguesa é a sardinha em lata, que pode ser consumida em até cinco anos após sua produção. As conservas dispensam refrigeração, estão prontas para consumo, são fáceis de armazenar e transportar, têm elevado valor nutricional. Em suma, são ótimas para a garantia da segurança alimentar e, ao mesmo tempo, ainda valorizam a produção nacional.






