A comunidade científica fez um alerta importante a respeito das condições meteorológicas extremas nos Estados Unidos durante a Copa do Mundo. Assim como no Mundial de Clubes de 2025, o calor extremo e a umidade desta época do ano no território estadunidense preocupa os especialistas.
Duas redes de especialistas em clima, saúde e esporte, se pronunciaram a respeito do tema: a World Weather Attribution (WWA) e cerca de vinte cientistas signatários de uma “carta aberta à Fifa”. A preocupação diz respeito à possibilidade de o torneio acontecer em condições muito difíceis de suportar.
“Nossa pesquisa demonstra que a mudança climática tem um efeito real e mensurável sobre a viabilidade de organizar Copas do Mundo durante o verão no hemisfério norte”, disse Friederike Otto, professora de ciência do clima no Imperial College de Londres e cofundadora da WWA.

Um problema parecido pôde ser visto na Copa de 1994, disputada justamente nos EUA, da qual o Brasil foi campeão. Por conta do aquecimento global, o cenário visto há décadas pode ser muito pior, com condições ainda mais extremas para os atletas e demais profissionais envolvidos no evento.
Altas temperaturas nos Estados Unidos
Os cientistas analisaram 104 partidas programadas em 16 estádios, com a participação de 48 equipes. Para chegar nas conclusões, utilizaram o índice de temperatura do globo de bulbo úmido (WBGT), que combina temperatura, umidade, radiação solar e nebulosidade.
De acordo com o medidor, uma temperatura aparentemente moderada pode se tornar perigosa com alta umidade. Um WBGT de 28ºC, por exemplo, corresponde a cerca de 38ºC em clima seco ou 30ºC em condições muito úmidas.
Cerca de um quarto das partidas (26 jogos) seria disputado em níveis iguais ou superiores a 26ºC WBGT. Isso exigiria medidas adicionais de refrigeração, segundo sindicatos de jogadores. Além disso, cinco duelos atingiram ou superariam os 28º, o que é considerado perigoso.






