O governo dos Estados Unidos conseguiu uma vitória contra a China na corrida global pela extração de terras raras. Os estadunidenses passarão a ser acionistas da USA Rare Earth, empresa que anunciou recentemente a compra da mineradora brasileira Serra Verde, em uma das maiores operações recentes envolvendo terras raras no mundo.
O movimento faz parte de um pacote bilionário firmado entre o Departamento de Comércio dos EUA e a USA Rare Earth. O acordo envolve a liberação de até US$ 1,6 bilhão para a construção de uma cadeia integrada de terras raras, metais, ligas e ímãs no território estadunidense.
O governo do país norte-americano não será apenas financiador da empresa, mas passará a ter exposição direta ao desempenho da companhia. Em abril deste ano, a USA Rare Earth anunciou a aquisição da Serra Verde por US$ 2,8 bilhões. Um dos poucos projetos do setor em operação comercial fora da Ásia.
Para ser concluída, a transação ainda depende de aprovações regulatórias e de acionistas, como parte do processo legal. Caso venha mesmo a ser confirmada, a iniciativa colocará um ativo brasileiro considerado estratégico dentro de uma empresa que terá participação direta do governo dos Estados Unidos.

EUA tentam correr atrás da China
O movimento estadunidense é bastante significativo, tendo em vista que a China domina a cadeia global de terras raras. O país asiático se destaca, especialmente, nas etapas de separação, processamento e produção de ímãs.
Esses ímãs são utilizados nas produções de turbinas eólicas, veículos elétricos, data centers, sistemas de defesa e outras áreas. As terras raras são um grupo de 17 elementos químicos usados em produtos de alta tecnologia, como o neodímio, o praseodímio, o disprósio e o térbio.
Não por acaso, está em curso uma corrida global por parte das nações para se sobressair no segmento dos minerais críticos. Os próprios EUA e China, bem como Austrália, Canadá e países europeus têm ampliado suas políticas de financiamento visando as cadeias de suprimento consideradas sensíveis.





