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Carnaval
GRITO

Vila da Barra fecha os desfiles levando 'todos os gritos' para a avenida

Escola da Compensa encerra as apresentações do Grupo Especial em grande estilo, com proposta ousada 11/02/2018 às 05:51 - Atualizado em 11/02/2018 às 06:28
Paulo André Nunes Manaus

A Vila da Barra entrou na passarela do Sambódromo, encerrando o desfile do Grupo Especial de Manaus, gritando por liberdade em todas as suas formas e gêneros. Mas não foi um grito qualquer: ele veio com sentido e inteligente.

A abertura trouxe uma Comissão de Frente belíssima, com os "Arlequins do Grito de Carnaval" em estilo hi-tech: luminoso. Sem contar a coreografia, bem ensaiada, uma das melhores deste Grupo Especial. O chapéu e um uma espécie de barra lateral deles estavam iluminados com lâmpadas de neon azul, gerando um alegre efeito

Antes do primeiro carro alegórico veio o 1° casal de mestre-sala e porta-bandeira - Deyse e Ulisses - trajando uma bonita fantasia onde retratavam o grito indígena.   O primeiro carro chama-se "Caravela", lembrando o grito dos desbravadores.

A bateria Pegada da Onça", do Mestre Luciano, veio representando Dom Pedro, relembrando seu famoso grito da independência do Brasil junto à Portugal. A indumentária foi nas cores azul e amarelo, inclusive com chapéu estilo do utilizado pelos imperadores.

Protestos também tiveram vez no desfile da Vila. Uma das alas trouxe pessoas portando vários cartazes com os dizereses "Diga nao à corrupção", "Diretas Já" e "Brasil Mostra a Tua Cara". Os brincantes vieram fantasiados de povo: sem fantasiados, mas com roupas do dia a dia, como calções e camisetas.

A intolerância religiosa também foi criticada no desfile da ala das baianas. Nela, a adolescente Rayssa Rodrigues, de apenas 16 anos se realiza: ela não abre mão de sair como uma, mesmo com a tradição sendo senhoras mais experientes. "Saio como baiana na Vila há 3 anos porque acho muito legal e, ainda por cima, cuida das baianas como minhas avó, mãe", comentou a jovem.

A ala "Nega Maluca", formada só por mulheres, criticou o preconceito racial e contra elas.

O segundo carro alegórico da Vila da Barra bradou pela preservação da natureza  "Grito pela Amazônia", e após surgiu uma ala com brincantes fantasiados com cabeça de peixes e tecidos na coloração rôxa lembrando poluição.

É claro que a famosa e angustiante tela "O Grito", de Edvard Munch, não poderia faltar: ela foi retratada em um dos tripés da agremiação.

A ala que trazia foliões fantasiados de jogadores da Seleção Brasileira de Futebol antecedeu o último carro da escola de samba: "O Grito de Campeão". A alegoria trouxe o brasão da Vila da Barra, taças e a imagem de uma onça. Problemas na condução do carro antes de entrar na avenida geraram um espaço entre a estrutura e a última ala, comprometendo parte da evolução.

A destaque no último carro foi a educadora Ziza Martins,  homenageada e enredo da escola em 2016 quando a Vila da Barra foi campeã do Grupo de Acesso.

A Vila passou dentro do tempo, com sobras: o cronômetro cravou exatos 1h06min45s  e, antes do fim, o mestre Luciano ainda fez umas bossas com sua bateria, mostrando controle entre os 200 ritmistas.

O carnavalesco Tiago Fartto entrou em prantos ao ver que a escola cumpriu mais um desfile entre as grandes.

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