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Manaus
CUSTO POLÍTICO

Propina a ex-secretários de Saúde chegava a R$ 130 mil mensais, diz PF

Ex-secretários Wilson Alecrim, Pedro Elias e Evandro Melo estão em prisão preventiva; Zaidan fica preso temporariamente e Afonso Lobo é procurado 13/12/2017 às 11:52 - Atualizado em 13/12/2017 às 15:30
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Evandro Melo, Wilson Alecrim, Pedro Elias e Raul Zaidan estão presos (Fotos: AC)
Dante Graça e Geizyara Brandão Manaus

Os ex-secretários de Saúde Wilsom Alecrim e Pedro Elias, e mais o ex-secretário de Administração e Gestão Evandro Melo, irmão do ex-governador José Melo, ficarão presos preventivamente após a operação Custo Político, deflagrada hoje pela manhã pela Polícia Federal, Ministério Público Federal e Controladoria-Geral da União.

A operação investiga o pagamento de propinas a servidores e agentes públicos feitos por chefes da organização criminosa descoberta na operação Maus Caminhos, deflagrada ano passado. De acordo com o delegado federal Alexandre Teixeira, a propina paga a um dos ex- secretários de Saúde chegava a R$ 130 mil por mês.

Já o ex-chefe da Casa Civil  Raul Zaidan, também preso nesta manhã, está em prisão temporária, com duração de cinco dias, prorrogáveis por mais cinco. Entre os presos temporariamente está também o coronel da PM Aroldo Ribeiro, que segundo as investigações fazia segurança de envolvidos na organização criminosa.

O ex-secretário de Fazenda do Estado, Afonso Lobo, também é um dos alvos e está sendo procurado. O superintendente da PF, Alexandre  Saraiva, afirmou que ele deverá ser conduzido à PF para o cumprimento de medidas, mas não quis especificar se seria prisão ou condução coercitiva.  A reportagem teve acesso a um documento do Ministério Público Federal que solicitava a prisão preventiva de Lobo. A CRÍTICA esteve pela manhã no prédio onde mora Afonso Lobo, na av. Mário Ypiranga Monteira, zona Centro-Sul de Manaus. Os policiais deixaram o local por volta de 11h (foto abaixo, por Euzivaldo Queiroz) ,mas Lobo não foi visto. 

Funções específicas

De acordo com o delegado federal Alexandre Teixeira, responsável pelas investigações, os agentes públicos e servidores investigados na 'Custo Político' ajudavam os chefes do esquema descoberto na Maus Caminhos  a "obter facilidades dentro da administração pública". Com o apoio dos servidores, o esquema de desvio de verbas funcionava. "O que se observa é que cada secretário tinha uma função diferente e assim conseguiam facilidades para obter os pagamentos".

Segundo Teixeira, a operação levou o nome de Custo Político porque era como os chefes da organização criminosa chamavam a propina que era paga a agentes públicos.  As propinas, segundo as investigações, eram pagas de maneiras variadas. Poderiam ir desde ingressos de grandes shows até altas quantias em dinheiro. Um ex-secretário de Saúde, cujo nome não foi especificado, chegava a receber R$ 130 mil mensais, segundo as investigações. Um ex-secretário executivo da mesma pasta era "agraciado" mensalmente com R$ 80 mil, de acordo com Alexandre Teixeira.

Os próximos passos da investigação, segundo o delegado, além de busca e apreensão foram colhidas as oitivas dos envolvidos. "As pessoas foram trazidas para a Polícia Federal para que pudessem explicar a participação nos fatos", disse.

A estimativa é que R$ 20 milhões tenham sido pagos em propina, segundo o procurador da República Alexandre Jabur. "Isso precisa ser melhor avaliado após o trabalho da Polícia Federal ser finalizado. Hoje nós estamos atualizando os valores da primeira fase, nós ainda não chegamos ao cálculo final", assegurou o procurador.

Prisões

O ex-secretário de saúde Wilson Alecrim foi preso no apartamento onde mora, no condomínio Chopin, no bairro Nossa Senhora das Graças. Já aquele que lhe sucedeu no posto, Pedro Elias, foi preso em São Paulo, de onde seria conduzido para Manaus. Raul Zaidan e Evandro Melo também foram presos na capital amazonense, assim como o coronel Aroldo Ribeiro. 

De acordo com o delegado federal Alexandre Teixeira, todos os presos serão encaminhados ao sistema prisional do Estado, que irá determinar onde cada um ficará recluso. Todos devem ficar em celas especiais, já que possuem ensino superior. 

Quem também acabou preso temporariamente foi Mouhamad Moustafa, apontado como o grande operador do esquema descoberto na operação Maus Caminhos. Os ex-secretários presos foram apontados como beneficiários do esquema de propina do Instituto Novos Caminhos, que pertencia a Moustafa. "Percebeu-se que além do peculato havia a prática de corrupção passiva e corrupção ativa envolvendo esses agentes públicos", informou o delegado. 

Desvios causam mortes, diz superintendente

O superintendente da Polícia Federal, Alexandre Teixeira, não economizou nas críticas aos desvios que são flagrados na saúde pública. "A falta de recursos causa mortes e as pessoas vivem em qualidade de vida inferior a que poderiam ter se esse dinheiro fosse investido onde realmente deveria", afirmou, garantindo que o órgão não irá parar as operações contra crimes desta natureza.