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A Crítica
Saúde

‘Árvore da Esperança’ homenageia vítimas da Covid-19, em Manaus

O projeto Árvore da Esperança foi idealizado pela arquiteta Ellem Vasconcelos juntamente com uma equipe de profissionais de diversas áreas, e está localizado no Centro Social do Parque Dez

Publicado em 28/12/2020 às 00h33 · Atualizado em 09/03/2022 às 11h43
‘Árvore da Esperança’ homenageia vítimas da Covid-19, em Manaus
Foto: Maria Luiza Dacio

Quem passa pelas proximidades do bairro Parque 10, na Zona Centro Sul de Manaus, se depara com uma decoração natalina que chama a atenção pela criatividade. A árvore que enfeita o CSU está repleta de luzes e arranjos, mas quem olhar com atenção, poderá ver imagens de vítimas do coronavírus, compondo a decoração. O projeto Árvore da Esperança foi idealizado pela arquiteta Ellem Vasconcelos juntamente com uma equipe de profissionais de diversas áreas.

Motivada pela pandemia que fez de 2020 um ano atípico, Ellem pensou em uma decoração que trouxesse uma mensagem reflexiva. “2020 não foi um ano fácil. Fomos surpreendidos por algo desconhecido e o controle não estava em nosso alcance. Devastou vidas de forma irreparável. Vimos muitas pessoas ao nosso redor ir embora sem direito à despedida. De forma repentina, para muitos, a vida deixou de ser o que era antes”, disse.

A arquiteta e urbanista, juntamente com a sócia Mayara Pierre, formam a Quest Arquitetura Criativa. “Fiz o desenho/projetei a árvore e a equipe técnica tirou ela do papel. Levamos 20 dias para enfeitar. E a árvore é toda estruturada em ferro, com pisca-pisca de natal, mangueiras luminosas, festão, tecidos, bolas coloridas e as fotos das vítimas impressas no PVC” disse.

Ellem pontua que a iniciativa não possui intuito de lucro, mas que promove uma tentantiva de humanizar as lembranças de vítimas da doença. “É uma iniciativa sem fins lucrativos com o intuito de trazer conforto para quem perdeu uma pessoa querida na luta contra o vírus. É importante humanizar as vítimas lembrando que elas não são só números, são mães, pais, avós, irmãos, tios e amigos que foram muito, mas muito amados”.

Para a execução do projeto, Ellem descobriu uma forma criativa de financiamento., que se deu por meio de um edital público. “Vi um edital de premiação aberto, o prêmio Feliciano Lana, e tinha a área de economia criativa e solidária, em que eu me encaixava e tive a ideia de participar com algo que homenageasse as vítimas de COVID-19”, disse.

A arquiteta buscou algo que envolvesse os trabalhadores da cultura que foram diretamente atingidos com a perda de empregos por conta da pandemia. “Pensei nas pessoas que estavam envolvidas no carnaval e nos festivais existentes na cidade”.

O projeto Árvore da Esperança contou 28 profissionais entre eletricistas, serralheiros, artesãos, comunicadores. “Para conseguir as fotos, contamos com uma comunicadora visual e social media, que divulgaram para a comunidade local. Geramos 18 empregos diretos e 10 indiretos, e ao final tivemos um resultado gratificante ou melhor dizendo trouxe um pouco de afago aos nossos corações e aos das famílias que prestaram uma homenagem aos seus familiares”, afirmou.

As fotos foram enviadas pelos familiares através das redes sociais. “A campanha 100% on-line, 2 influenciadores anunciaram no Instagram e eu anunciei no Twitter e assim as pessoas foram entrando em contato. Criamos um e-mail e disponibilizamos um número (WhatsApp) para que as pessoas entrassem em contato com a gente. Foi muito triste pra gente receber essas fotos. Ouvir sobre como elas eram incríveis e agora já não estão mais com os seus”, explicou.

A escolha do local, também foi bem pensada de maneira com que se evitasse aglomerações. “Quisemos fazer nesse local por ser amplo e espaçoso para evitar aglomerações e também sensibilizar as pessoas a continuarem tomando os cuidados necessários”.

Ação de homenagens

Para homenagear as vítimas da Covid-19, diversas iniciativas marcaram o período da pandemia em Manaus. No início de novembro, a Arquidiocese da capital organizou um mutirão para plantação de mudas que simbolizaram o número de óbitos pela doença no Estado. Na ocasião, o Arcebispo Metropolitano de Manaus, Dom Leonardo Steiner, afirmou que a atividade foi um singelo gesto de esperança e cuidado com a vida. “As árvores simbolizam uma homenagem e uma recordação a aqueles que se foram, vítimas da covid-19, um momento de recomeço para todos.” afirmou o arcebispo. A iniciativa foi apoiada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

O memorial dedicado aos funcionários de saúde, no Hospital Platão Araújo, situado na Zona Leste de Manaus, e agora um dos hospitais ‘porta de entrada’ para pacientes com Covid-19, fica suspenso em uma parede do auditório da unidade estão os nomes de mais de mil profissionais do hospital, entre médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, auxiliares de serviços gerais, maqueiros, vigilantes, cooperativas e profissionais que trabalharam incansavelmente no atendimento dos pacientes com a doença.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e a Rede Pró-Yanomami e Ye’kwana lançaram o site Memorial Vagalumes, dedicado a homenagear a memória de indígenas mortos após contrair o vírus. No site é possível encontrar fotos, homenagens e textos com a história de vida dos indígenas que morreram durante a pandemia.

Memorial municipal

O cemitério Nossa Senhora Aparecida, no bairro Tarumã, Zona Oeste de Manaus, ganhará um memorial em homenagem às vítimas da pandemia. O anúncio foi feito ainda em abril pelo então prefeit, Artur Neto.

O conceito do Memorial das Vítimas da Pandemia da Covid-19, como é previamente chamado, será uma homenagem à saúde pública, seus agentes e à necessidade de preservação da vida, proporcionando um local de reflexão e pausa, segundo a informações da Secretaria Municipal de Limpeza Urbana (Semulsp), que gerencia os cemitérios públicos da cidade.

Fundado em 1976, o cemitério do Tarumã está localizado na avenida do Turismo, 107, no quilômetro 12, e possui 70 quadras perfazendo área total de aproximadamente 105 hectares.

O espaço é o único público em atividade para novos sepultamentos, já que os demais cemitérios estão ocupados em sua totalidade e atendem somente sepultamentos em jazigos familiares.

De acordo com o boletim da Fundação de Vigilância Em Saúde (FVS-AM), foram confirmados 17 óbitos por Covid-19 neste domingo (27), sendo 11 ocorridos no sábado (26/12) e seis encerrados por critérios clínicos, de imagem, clínico-epidemiológico ou laboratorial, elevando para 5.190 o total de mortes no Estado.