Produção de motocicletas decola e aponta otimismo no PIM
“Dados divulgados pela Abraciclo apontam crescimento no primeiro trimestre do ano mesmo com estagflação e cenário instável”
Nesta terça-feira (12), a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) divulgou um balanço geral da produção e comercialização dos veículos de duas rodas inseridos no coração do Polo Industrial de Manaus. Em clima de retomada, a produção teve um desempenho de destaque, superando os números do ano anterior, com 8,4% de crescimento.
O presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian, sugere que as linhas de produção das unidades fabris estão em uma curva produtiva ascendente. “A tendência agora é manter o ritmo de produção e, com isso, atender aos consumidores que aguardam uma motocicleta nova”, relata.
Somente em março, foram licenciadas 110.040 motocicletas, volume 46% maior que o registrado em fevereiro (74.972 unidades) e 76,7% superior ao mesmo mês de 2021 (62.262). Apesar dos ótimos resultados, Fermanian afirma que o ano segue como o esperado e podendo até haver uma queda graças à instabilidade trazida pela inflação e período eleitoral. “Os dados atendem à perspectiva inicial para este ano. É possível que o mercado aumente a demanda, graças ao crescimento do delivery como alternativa de renda, mas existem outros fatores que empurram esse crescimento para baixo. A copa do mundo no fim do ano e as eleições vão refletir nesse cenário.”
Redução do IPI
O tema mais recorrente na economia amazonense nesses últimos meses vem sendo a redução do IPI no Polo Industrial de Manaus. Apesar dos desencadeamentos da situação, o tema ainda é preocupante e surge como um alerta para as fábricas instaladas na capital. “Isso tudo é muito prematuro e preocupa a indústria e todos os investimentos, continua sendo um movimento que nos preocupa muito. Estamos mantendo nossos investimentos e esperando a resolução desse cenário com a reivindicação do Governo do Amazonas e outros órgãos para que consigamos nos manter onde está a indústria de motocicletas”, enfatizou o presidente da Associação. Com isso, para ele, o momento é de espera.
Empregabilidade
Com a onda de crescimento, a alta na empregabilidade é algo esperado no setor. Em Manaus, com o ritmo frenético de produção acelerando conforme a retomada da indústria, a mão-de-obra se torna ainda mais necessária. “Ainda é um movimento de crescimento pequeno e esse crescimento vem acontecendo gradativamente ano a ano e com isso, o crescimento da mão-de-obra nas indústrias de Manaus. Consequentemente, a necessidade de mais pessoas trabalhando e contratações vai tomando mais espaço e acaba sendo bastante positiva”, relata Fermanian.
Desempenho por região
Com 106.012 unidades emplacadas e 38,6% de participação no mercado, a região Sudeste é o principal mercado das motocicletas produzidas no PIM. O Nordeste ficou em segundo lugar no ranking (83.699 unidades e 30,5% do mercado), seguido pelo Norte (30.444 motocicletas e 11,1%), Sul (27.966 e 10,2%) e Centro Oeste (26.552 unidades e 9,7%).
No ranking mensal, as posições foram mantidas: Sudeste (41.380 motocicletas e 37,6% do mercado), Nordeste (33.525 unidades e 30,5%), Norte (12.200 motocicletas e 11,1%), Sul (11.600 unidades e 10,5%) e Centro Oeste (11.335 motocicletas e 10,3%).