Domingo, 27 de Setembro de 2020
COMPORTAMENTO DIFERENCIADO

AM pode apresentar linhagens do novo coronavírus com menor letalidade, destaca estudo

No entanto, Estado poderia apresentar genealogia do vírus com maior transmissibilidade A hipótese é levantada na 14ª edição do Boletim ODS Atlas Amazonas



coronav_rus_6F8E497A-A990-43C1-9F4D-FA915D69ED9F.jpeg Foto: Junio Matos/ Arquivo AC
19/07/2020 às 17:48

De um dos principais epicentros da epidemia de Coronavírus no País a uma realidade de significativa queda no número de mortes, o Amazonas apresenta um comportamento em relação à doença diferenciado em relação a outros centros brasileiros. Uma das possibilidades é a predominância de linhagens do vírus com maior transmissibilidade e menos letalidade em todo o Amazonas.

A hipótese é levantada na 14ª edição do Boletim ODS Atlas Amazonas, o mais recente desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Pelo que foi constatado nesta análise, municípios onde a doença demorou mais a chegar apresentaram uma maior capacidade de transmissão e, ao mesmo tempo, uma letalidade menor. A análise compreende apenas municípios onde, até o dia 11 de junho, houve casos fatais de Covid-19 - ou seja, ficam de foram Eirunepé, Anamã, Canutama, Apuí, Ipixuna e Envira.



A dinâmica do coronavírus no Amazonas vem sendo objeto de análise constante do Atlas Amazonas, coordenado pelos professor Phd Henrique dos Santos Pereira (coordenador geral) e Danilo Egle (coordenador técnico). Na edição número 10 do boletim, lançada em 11 de junho, com base na teoria da 'ecologia das doenças', os pesquisadores foram os primeiros a defender que havia uma maior circulação das formas menos graves da doença, predominando as mais transmissíveis e menos letais, como forma do vírus manter seu hospedeiro, no caso, o homem, vivo. O processo é chamado de 'trade-off' evolutivo. 

Posteriormente, outros estudos corroboraram a análise inicial da equipe do Atlas Amazonas. E recentemente, no último dia 7, um estudo do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), identificou pelo menos três linhagens do novo coronavírus no Amazonas.  Em Manaus foram identificadas as três linhagens. Em Manacapuru, Manaquiri e Manicoré a pesquisa encontrou 2 linhagens circulando, e em outros seis municípios de diferentes regiões do Estado, apenas uma linhagem.

A partir disso, o Atlas Amazonas buscou analisar se havia ou não uma diferenciação na taxa de letalidade da doença ao longo do tempo e entre municípios devido ao fato de determinadas linhagens mais transmissíveis e menos virulentas passarem a predominar nas populações.   Para equiparar as condições de cada município analisado, foram considerados os números da doença até 45 dias após o registro do primeiro caso.

Analisando morbidade (a capacidade de transmissão do vírus), letalidade (número de óbitos por 100 casos) e mortalidade (número de óbitos acumulados até 11 de junho por 10 mil habitantes),  o Atlas Amazonas concluiu que a morbidade é maior e a letalidade e a mortalidade são menores nos municípios onde a doença chegou tardiamente.   "Como esperado, a letalidade deveria ser mais fortemente influenciada pelo processo de difusão da pandemia, ou seja, pelo trade-off evolutivo (fator tempo). Já a mortalidade, pode ter a sua variação influenciada pelas características socioeconômicas, demográficas e genéticas da população afetada", diz o estudo.

O boletim considera, porém, que ainda espera-se encontrar um menor número de óbitos acumulados onde a doença está em progressão a menos tempo. Para controlar o efeito do tempo de progressão da doença na população sobre a taxa de letalidade local, os pesquisadores chegaram a um indicador definido como 'letalidade residual', que corresponde ao efeito causado em cada município pelas linhagens que circularam naquela localidade, tornando possível a comparação. Neste indicador, Manaus e Jutaí aparecem como casos extremos "considerando-se o valor esperado pelo tempo de transcurso da pandemia". As duas cidades apresentam a maior taxa de letalidade no Amazonas, segundo os dados da Fundação de Vigilância em Saúde: 6,21% em Manaus e 4,97% em Jutaí.  " A maior letalidade em Manaus seria um caso esperado vez que se constituiu como o epicentro da pandemia na região, porém a letalidade residual extrema deve estar relacionada a outros fatores condicionantes, assim como no caso de Jutaí, outro município cuja letalidade residual foi considerada extrema".

Dados do Amazonas

Conforme o último boletim da FVS-AM, o Amazonas apresentava, até a tarde de sexta-feira (17), um total de 88.822 casos confirmados, com 3.118 óbitos. Hoje, o Amazonas é o sexto do País em número absoluto de mortes, atrás de São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará , Pernambuco e Pará, sendo que o Estado vizinho tem 5.448 óbitos pela doença. No auge da pandemia no Estado, o Amazonas chegou a ser o terceiro do País em números absolutos.

Em se tratando de taxa de letalidade - a quantidade de mortes por 100 mil habitantes - o Amazonas é o oitavo do País, perdendo também para Rio Grande do Norte e Mato Grosso, além dos outros cinco Estados onde os números absolutos são maiores.

Segundo os dados da FVS-AM, até a última sexta-feira, eram 74.531 pacientes recuperados da doença. Um outro dado visto positivamente pelas autoridades de saúde é a queda na quantidade de internações. Até a sexta-feira, eram 346 internados, entre casos suspeitos e confirmados. Em 1º de julho, eram 466. Um mês antes, em 1º de junho, eram 925. Em 1º de maio, eram 1267 pacientes hospitalizados, um número 366% maior que o atual.

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Jornalista de A CRÍTICA
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