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Amazonenses nos EUA defendem voto em Kamala ou Trump; veja argumentos

A CRÍTICA ouviu brasileiros que podem votar na eleição americana, e que escolheram a candidata democrata Kamala Harris ou o republicano Donald Trump

Publicado em 05/11/2024 às 12h04
Amazonenses nos EUA defendem voto em Kamala ou Trump; veja argumentos
Foto: Divulgação

Dos cerca de 2 milhões de brasileiros que vivem nos Estados Unidos, ao menos 103 mil estão aptos a votar nas eleições para a presidência do país, que acontece nesta terça-feira (5). A disputa acirrada mostra que, em uma nação onde o voto não é obrigatório, cada apoio conta. Concorrem a democrata Kamala Harris e o republicano Donald Trump.

Segundo pesquisa do Idea, realizada entre 6 e 12 de outubro com 802 brasileiros que vivem nos Estados Unidos, 60% disseram que votariam em Harris, contra 35% em Trump. Outros 2% escolheram outros candidatos, e 3% se indicaram como indecisos.

A maioria dos brasileiros que está nos Estados Unidos não tem direito ao voto, pois o conhecido “Green Card” (documento que permite residir e trabalhar no país de forma permanente) não necessariamente garante esse direito. Para votar, é preciso solicitar a cidadania, que, para os brasileiros, é concedida em forma de dupla cidadania e requer mais exigências.

 

Lado vermelho

 

O engenheiro amazonense Eduardo Valentin contou que é eleitor de Robert Kennedy, mas, com desistência do então candidato e anúncio de apoio a Donald Trump, o eleitor seguirá essa linha de voto. O brasileiro ressaltou que o principal motivo de seu voto em Trump é por questões econômicas.

“O Trump seria minha segunda opção. O principal motivo é econômico. A posição na economia dos republicanos é mais alinhada com o que acredito que o país precisa. O incentivo à economia interna, por exemplo, é fundamental nesse momento. Outro ponto que tem impacto direto no meu dia a dia é o aumento da inflação no governo democrata, que esteve controlada no governo Trump”, destacou o eleitor.

Além disso, o eleitor afirmou que outro ponto para seu posicionamento é que o governo democrata regulamenta as empresas que investem em máquinas, bitcoin e IA, “o que seria ruim financeiramente para mim”, disse.

Eduardo Valentin disse ainda que também não votará no governo democrata por ter maior apoio a guerras. “Os democratas viraram o partido das guerras eternas. Trump tem uma bancada que promete acabar com o envolvimento dos EUA na guerra dos outros. O que, na minha humilde opinião, faz todo sentido. Os EUA estão derramando dinheiro na guerra alheia. O último governo Trump não iniciou nenhuma guerra nova. Pelo contrário, evitou guerras”, argumentou.

Quanto às questões migratórias mais rígidas com Trump, o eleitor explicou que os Estados Unidos têm direito de exigir o que está na lei para registros de vistos. 

“Eu acredito que os EUA, como nação soberana, deve investir na proteção de suas fronteiras. Ambas candidaturas têm postura semelhante de fortalecer a fronteira. Nos últimos quatro anos, houve um aumento na crise migratória, principalmente pela fronteira sul. E a maioria dos imigrantes ilegais não é de latinos que entram pela fronteira sul”, argumentou. 

A publicitária Gracie Huff vive nos EUA há 11 anos e também defendeu que o governo Trump tinha uma gestão econômica mais equilibrada. A eleitora informou que o processo de votação no Arkansas, onde reside, começou de forma antecipada, no dia 21 de outubro. O estado é considerado “sólido republicano”. 

“Votei em Donald Trump na última quarta-feira (29), porque ele teve um excelente desempenho na sua administração enquanto Presidente dos Estados Unidos da América. Tínhamos uma economia inovadora, avançada e contra o incentivo direto ou indireto às guerras, como as quais temos visto nos últimos três anos”, ressaltou a amazonense.

 

Lado azul

 

O engenheiro Adenilson Cavalcanti é natural de São Paulo, mas morou por muitos anos em Manaus. após esse período, conseguiu emprego em Brentwood, onde está há 10 anos. A cidade está localizada na Califórnia, estado “sólido democrático”. Ele contou que enviou o voto em Kamala Harris por correio no dia 1 de outubro. 

“Primeiro, meu voto em Kamala é por seu intelecto. É uma pessoa inteligente e esforçada. Saiu de uma cidadezinha daqui, de família de imigrantes, então tudo que ela conseguiu foi por mérito próprio. Além disso, eu gosto das políticas que o governo atual do presidente Biden implementou. Eles conseguiram controlar a inflação, aumentaram o emprego e, sobretudo, investiram bastante em infraestrutura”, destacou o eleitor. 

Outro motivo apontado por Cavalcanti é que, segundo ele, “ela não é o Trump”. Ele afirmou que Trump tem uma política mais extrema e até “odiosa”. 

“Ele foi desastroso no combate à covid. Um milhão de americanos morreram e, provavelmente, não seria necessário. Ele tem uma política mais odiosa. Ele diz muitas coisas e fala muito sobre imigrantes”, ressaltou. 

Cavalcanti destacou que, como Trump se elegeu com o apoio de quem “odeia imigrantes”, ele dificultava a retirada de Green Card e cidadania. Segundo ele, Biden acelerou o processo e aumentou o número de atendimentos. 

Já a amazonense Carolina Teixeira, 27, que trabalha como assistente de dentista, mora no país, mas ainda não obteve a cidadania – ou seja, não pode votar. Ainda assim, disse que Trump odeia imigrantes e que, por isso, caso pudesse, votaria em Kamala Harris.

“Não gosto da forma como o Trump fala. Ele odeia imigrantes e, obviamente, vai usar o poder dele para prejudicar as pessoas e controlar ainda mais as fronteiras. Se está difícil vir para visitar, espera só ele ser eleito”, disse Carolina.

A jovem também defendeu que o país continue respeitando as decisões individuais e as escolhas das mulheres.

“Ele quer banir o aborto nacionalmente no país, e as mulheres não vão poder decidir o que fazer com o próprio corpo. Outra coisa é que, quando ele perdeu as eleições em 2020, ele se recusou a assumir a derrota e quase teve uma revolução na Casa Branca na última eleição por causa dele. Ele é corrupto e foi culpado em 34 acusações criminais”, informou.

Carolina Teixeira ressaltou que Trump é milionário e, quando for eleito, “vai apenas lutar pelos ricos”. Enquanto isso, segundo ela, a outra candidata apresenta propostas em rumos diferentes.

“Kamala pretende cortar as taxas de milhares de pessoas de baixa renda. As taxas são altíssimas. Eu mesma pago e nem posso votar, e não acho justo. O Trump só quer cortar taxas para ricos. E ela quer reduzir custos para que todos possam ter acesso a medicamentos prescritos (que custam caro) e a uma vida mais econômica.”

A estudante de enfermagem Esthefanny Reis, 27 anos, explicou que uma dificuldade para conseguir o direito ao voto é que o processo deve ser visto conforme as diretrizes de cada estado, que nos Estados Unidos funcionam de forma mais independente.

“Antes de preencher qualquer coisa para se registrar para votar, é preciso verificar as regras do seu estado e o que pode e não pode, para evitar problemas com imigração.”

A estudante defendeu que, mesmo não exercendo o direito ao voto, é preciso pensar em políticas que amparem os imigrantes e também em questões sociais no país. Reis afirmou que Kamala tem um posicionamento melhor sobre essas pautas.

“Particularmente em relação à imigração, a Kamala tem uma abordagem humana e sensata. Ela defende uma reforma que traga dignidade e oportunidades para quem busca uma vida melhor nos EUA, além de fortalecer políticas que protejam os direitos dos imigrantes. Acredita em caminhos claros para a legalização e a cidadania de milhões de pessoas que já contribuem com o país. Para mim, é essencial ter uma liderança que reconheça e valorize os imigrantes como parte fundamental da sociedade americana”, destacou a estudante.

Reis também ressaltou que a candidata tem experiência e visão inclusiva, com garantia à igualdade e à justiça social.

“O partido defende uma abordagem mais acessível para saúde, direitos civis, educação e também leva a sério a questão ambiental. Acredito que Kamala, junto com o Partido Democrata, tem um compromisso forte com temas como a diversidade, os direitos das mulheres e a luta contra a desigualdade. Vejo isso como essencial para construir um futuro mais justo e igualitário para todos”, afirmou Esthefanny.

 

Nem um, nem outro

 

Diferente dos demais, o chefe de cozinha particular Sid Matos tem direito ao voto e se considera democrata, mas decidiu não escolher nenhum dos candidatos. “A questão é que não existe nenhum candidato com uma idade nova. Antes, eram dois velhos caquéticos que a gente tinha que decidir. E agora temos uma nova opção, mas não vejo novas propostas. Acho interessante o fato dela ser mulher, do histórico de luta dela, ela é negra, mas são parte do mesmo sistema e só duas pessoas para disputar é muito pouco. Não tem mais candidatos.” 

O eleitor democrata disse que muitos brasileiros têm Green Card, mas que só podem votar os que têm cidadania, e que, normalmente, muitos foram influenciados pelo efeito Bolsonaro no Brasil e apoiam muito Trump. 

“Esse processo tem muito a ver com a presença dele (Bolsonaro) no Brasil. Eu acho que isso representa muito o Bolsonaro, porque a maioria das pessoas que vem pra cá tem essa paixão pela cultura americana, entende? Porque ela é uma cultura que acaba com todas as outras culturas, ela é muito devastadora”, afirmou. 

Sid ressaltou que a cultura e o apelo fez com que os brasileiros colocassem os EUA como prioridade, “Eu acho que o Brasil tem esse sentimento de inferioridade. Essa inferioridade é que faz essa aproximação com esse tipo de candidato, o Trump, o Bolsonaro”.

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