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Artistas amazonenses homenageiam legado de Preta Gil com afeto e resistência

A cantora e empresária morreu nesse domingo (20), no Estados Unidos

Publicado em 21/07/2025 às 12h27 · Atualizado em 21/07/2025 às 15h14
Artistas amazonenses homenageiam legado de Preta Gil com afeto e resistência
Foto: Reprodução

A partida de Preta Gil, aos 50 anos, em 20 de julho de 2025, deixou um vazio profundo no cenário artístico brasileiro, especialmente entre artistas do Amazonas que construíram com ela laços de admiração, amizade e luta. Para essas mulheres, Preta foi inspiração viva: uma voz potente que abriu caminhos com coragem, amor e verdade.

Ariana Paz, DJ e artista trans:

 “Ela foi coragem em forma de gente. Mulher preta, bissexual, fora dos padrões estéticos impostos pela sociedade. Enfrentou o racismo, a gordofobia, o machismo, a LGBTfobia com dignidade. Sua voz não era só melodia, era manifesto. Ela abria caminho para que outras pessoas como eu pudessem caminhar com menos medo.”

Vivian Amorim, apresentadora e comunicadora:

 Preta sempre foi sinônimo de alegria, uma das pessoas mais generosas, amáveis e acolhedoras que já conheci. Ela unia todo mundo sem distinção, queria todo mundo feliz ao redor dela e sempre celebrou a vida como ninguém. festiva do povo, do carnaval, da música, da família, dos amigos, dos fãs preta era de todo mundo e todo mundo cabia no coração dela. Foi tão forte, lutou bravamente, viveu lindamente, nos ensinou, nos inspirou e nos motivou até o último segundo. É uma honra ter tido o privilégio de compartilhar sua energia, Pretinha.


(Foto: Reprodução)

 

Isabelle Nogueira, cunhã-poranga e ativista cultural:

“Sempre foi incrível comigo, motivadora e extremamente atenciosa. Foi muito realista com esse mundo artístico que vivemos, nos impulsionando com sua força e vontade de viver. Foi lindo ver sua trajetória por aqui pretinha, amaremos você para sempre”. 

Dj rapper Rafa Militão:

“A Preta significa pra classe artística, e pra quem a admirava, avanços, possibilidade de futuro, coragem e muita resistência. Sempre botou a cara pra brigar pelo direito de SER quem é, uma mulher preta, LGBTQIA+, fora dos padrões que a sociedade impõe, dando força pras vozes que sempre estiveram à margem.

Preta partiu, mas deixou um legado enorme, plural e forte igual a ela, na TV, na música e principalmente NA VIDA. Literalmente nos ensinou que viver é revolucionário, sempre na maior humildade e amor.”

Preta Gil foi diagnosticada com câncer colorretal em janeiro de 2023, após sentir fortes desconfortos abdominais. Iniciou tratamento com quimioterapia, radioterapia e passou por cirurgias no Brasil, chegando a anunciar remissão da doença no fim de 2023. No entanto, em agosto de 2024, o câncer retornou de forma agressiva, atingindo linfonodos, o peritônio e o ureter.

Em busca de novas alternativas, Preta se mudou para Nova York em 2025 para realizar um tratamento experimental. Apesar da esperança, seu quadro se agravou e ela faleceu em 20 de julho, a caminho do aeroporto, após passar mal na ambulância. Seu último desejo foi ser velada no Rio de Janeiro e enterrada na Bahia, terra de seu pai, Gilberto Gil.

A página oficial do Boi Garantido também prestou tributo à artista com uma nota de pesar nas redes sociais:


(Foto: Reprodução Instagram)

“Nesse momento de dor, prestamos homenagem à sua vida, à sua arte e à sua luta. Expressamos nossos profundos sentimentos de solidariedade aos familiares, amigos e fãs. Que encontrem consolo na força do seu legado que seguirá viva na memória afetiva do povo brasileiro e na pulsação da cultura popular” .

A frase “Atravessou o grande rio”, utilizada na publicação, representa uma metáfora amazônica para a passagem espiritual, e simboliza o carinho da cultura regional pela artista.

O artista amazonense Antônio Bahia também expressou seu pesar e relembrou como a cantora passou pela sua vida e carreira.

“Além da artista que todos conhecem, Preta deixa o legado de ser humano, atento às causas sociais a ponto de ter colocado o próprio corpo em prol disso. Durante sua apresentação na Virada Cultural na Praça do Eldorado em 2011, ela escolheu algumas pessoas da plateia pra cantar, eu fui uma dessas pessoas. Embora ela não soubesse, também me ajudou de alguma maneira. Que sigamos o exemplo de amor, coragem e bem viver da Preta”.

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