Dia da Prematuridade: campanha defende contato entre mãe e bebê
Foi após sentir contrações dolorosas que a enfermeira Iarin Melo Leiros, de 27 anos, descobriu que teria o filho bem antes do programado
Foi após sentir contrações dolorosas que a enfermeira Iarin Melo Leiros, de 27 anos, descobriu que teria o filho bem antes do programado. Previsto para vir ao mundo no dia 2 de fevereiro deste ano, o pequeno Nicholas Leiros Franklin nasceu aos sete meses de idade, em dezembro do ano passado, e precisou permanecer 40 dias em uma Unidade de Terapia Intensiva Neonatal.
A enfermeira lembra os momentos de difíceis que passou após o nascimento prematuro do filho que, atualmente, tem onze meses. “Eu descobri alguns dias antes de ele nascer, quando apresentei dores e sangramento. Tentaram reverter meu quadro, mas não foi possível. Conseguiram apenas estagnar por mais alguns dias para ganhar tempo e fazer uma medicação para maturação do pulmão do meu filho”, contou ela.
Iarin Melo comenta que o período exigiu dela muita paciência e perseverança. “O início foi complicado, pois eu não estava preparada para viver essa fase tão precocemente. Ele ainda não podia ser amamentado, se alimentava por sonda e precisava da ajuda de um catéter de oxigênio para respirar”.
No próximo mês, o pequeno Nicholas Leiros Franklin completará um ano de idade e Iarin Melo afirma que há muito o que comemorar. “Vencer essa fase trouxe outro significado para minha vida. Me fez perceber que tenho uma força que não imaginava que tinha. Me ensinou o poder que a maternidade traz pra gente e também me ensinou o verdadeiro significado do amor. Parece clichê, mas o amor de uma mãe pelo filho não pode ser nunca explicado”.
De acordo com dados da Fundação de Vigilância em Saúde Dr.ª Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP) existem dois tipos de nascimentos de bebês prematuros: por peso e também por tempo de gestação. Em 2020, o Amazonas registrou 5.727 nascimentos de bebês prematuros com peso até 2.499 gramas, e 8.377 de bebês com até 36 semanas de gestação.
Até setembro deste ano, foram registrados 4.570 nascimentos de bebês prematuros com peso de até 2.499 gramas e 6.470 nascimentos de bebês com até 36 semanas de gestação. Somente em Manaus ocorreram 3.101 nascimentos de bebês prematuros com até 2.499 gramas e 3.887 de prematuros com até 36 semanas de gestação. Em 2021, foram 2.310 nascimentos de bebês prematuros com até 2.499 gramas e 2.761 com até 36 semanas de gestação.
Prematuridade
Um parto é considerado prematuro quando acontece antes de 37 semanas (uma gestação ideal tem de 38 a 42 semanas de duração). Entre as principais causas obstétricas para a prematuridade estão a hipertensão materna, a diabetes gestacional e a pressão alta ou pré-eclâmpsia. Outros fatores também podem levar ao parto prematuro, como o hábito de fumar, o consumo de álcool, drogas, estresse, infecções do trato urinário, sangramento vaginal, obesidade, baixo peso e distúrbios de coagulação.
“Alguns fatores que podem causar parto prematuro são evitáveis e tratáveis sim, são eles as infecções e a incompetência do colo uterino, portanto ao menor sinal de infecção urinária, vaginal ou em qualquer outro lugar do corpo deve ser tratado imediatamente. Outros fatores que podem ser sinal de alerta de um parto prematuro, são contrações dolorosa, perda de muco ou sangue. Neste caso a mulher deve procurar um serviço de urgência imediatamente”, explicou a médica ginecologista e obstetra, Édily Tourinho.
De acordo com ela, os riscos da prematuridade vão depender do quanto o feto é prematuro e o tratamento ideal de um prematuro dependerá das dificuldades que ele enfrentar.
“Podem ser alterações leves como dificuldade na amamentação e aumento das taxas de icterícia com necessidade de fototerapia, até complicações mais importantes como desconforto respiratórios, aumentos das taxas de internação em UTI, danos neurológicos, oftalmológicos e auditivos, até maior mortalidade neonatal”.
A médica ginecologista e obstetra, Sonia Diniz, orientou para a assiduidade nas consultas com o profissional de saúde, o que pode prevenir a prematuridade. “A melhor prevenção de parto prematuro é a assiduidade das consultas com profissional especializado, bem como a realização de exames e orientações do pré natal. Existem sinais e sintomas que podem ocorrer durante o período gestacional que indicam o risco de prematuridade”, pontuou.
Novembro Roxo
A Maternidade Dr. Moura Tapajóz (MMT), da Prefeitura de Manaus, deu início, no dia 9 de novembro, a uma série de ações de prevenção e conscientização alusivas à campanha “Novembro Roxo”, que alerta sobre as consequências da prematuridade tanto para o bebê e para a família quanto para a sociedade.
Em 2021, o foco da campanha é a separação zero entre mãe e bebê prematuro, ou seja, garantir que a mãe tenha condições de acompanhar o filho prematuro durante todo o período de internação do bebê e permitir que o pai também tenha livre acesso.
De acordo com a diretora do Departamento de Atenção Primária da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus, Sonja Ale Girão Farias, o “Novembro Roxo” é importante como forma de intensificar a sensibilização da sociedade sobre o tema “prematuridade” e sobre a importância do acompanhamento pré-natal desde o primeiro trimestre da gravidez.
“Para isso, estamos ampliando a cobertura da Atenção Primária à Saúde, que no momento está em 67,28%, e, consequentemente, aumentando o acesso das mulheres ao pré-natal, pois é durante o acompanhamento pré-natal que são detectadas quaisquer alterações que possam levar a um parto prematuro, como, por exemplo, hipertensão, diabetes ou infecção urinária”, explicou Sonja. “Até 2022, pretendemos inaugurar mais 10 novas unidades de porte 4, com atendimento humanizado e uma carta ampliada de serviços”, destacou.
Doação de leite humano
De acordo com a Semsa Manaus, os bebês prematuros são os principais receptores do leite humano doado à Maternidade Dr. Moura Tapajóz. Segundo o órgão municipal, toda mulher que está amamentando pode ser voluntária e ajudar a salvar a vida de vários recém-nascidos. O Posto de Coleta de Leite Humano da MMT funciona 24h e dá apoio às puérperas e mulheres que estão amamentando, com coleta domiciliar de leite das mães doadoras e consultas individuais de orientação sobre amamentação.
O posto dispõe, ainda, de carro e de uma equipe composta de motorista e técnico de enfermagem, exclusivamente para coleta de leite no domicílio das mães doadoras, buscando os vidros cheios e substituindo por vidros esterilizados.
A coleta domiciliar pode ser feita por meio de agendamento pelo telefone (92) 99240-8080 ou a doação pode ser feita na própria maternidade, localizada na Avenida Brasil, n°1335, bairro Compensa I, de segunda a segunda, no horário das 8h às 18h.