Em rádio paulista, Fausto Júnior diz que desmatamento na Amazônia é quase ‘imperceptível’
Declaração foi feita durante o programa Pânico, na Jovem Pan. Deputado foi questionado sobre como os amazonenses reagem à pressão internacional a respeito dos níveis alarmantes de desmatamentos registrados no governo Bolsonaro
O deputado estadual Fausto Júnior (MDB) disse nesta segunda-feira (18) em entrevista ao programa ‘Pânico’ da Jovem Pan, que o desmatamento na Amazônia é “quase imperceptível” por conta do tamanho do estado. Segundo ele, o desmatamento é localizado no Sul do Amazonas por causa do agronegócio.
Júnior ainda acrescentou que desmatamento e outros crimes ambientais têm sido combatidos de forma forte, inclusive, até de forma “exagerada” por parte dos órgãos ambientais.
A resposta de Fausto foi dada depois que ele foi questionado sobre como os amazonenses reagem à pressão internacional a respeito dos níveis alarmantes de desmatamentos registrados no governo Bolsonaro.
“Na prática é quase que imperceptível (o desmatamento), por duas razões. Primeiro, porque o nosso estado é muito grande com dimensões continentais que cabe aí quase metade da Europa (…) Você pega o município de Barcelos, por exemplo, só dimensão territorial do município é do tamanho da Bélgica”, afirmou.
Em agosto, o Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, sigla em inglês) alertou que a Amazônia está quase alcançando um ponto de não retorno com a perda de suas principais características fisiológicas referente ao clima que deve inibir a produção de chuvas, aumentando a estação seca regionalmente e tornando a região em uma savana.
A Amazônia Legal perdeu 10.476 km² de floresta entre agosto de 2020 e julho de 2021, meses em que se mede a temporada do desmatamento. A taxa é 57% maior que a da temporada passada, além de ser a pior dos últimos dez anos, aponta o Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon).
Ex- relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde do Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), finalizada no ano passado, Fausto Júnior disse que a CPI do Senado vai finalizar sem uma colaboração prática para o país e emendou dizendo que o presidente da CPI, senador Omar Aziz (PSD), quer colar a sua imagem a do ex-presidente Lula para salvar a carreira política.
“A CPI vai acabar e até agora não falaram nada sobre a variante delta. É um interesse político e não de combater o vírus. Quando tem aquela placa lá de 600 mil mortos, não foi o presidente que matou essas pessoas, foi o vírus. Lógico que a gente tem que cobrar do presidente, governadores, e prefeitos as políticas públicas para combater o vírus”, finalizou, dizendo que não é bolsonarista.
Desde que Junior depôs na CPI, em junho, e foi acusado de receber vantagens indevidas para não indiciar o governador Wilson Lima (PSC), quando foi relator, o deputado tem se alinhado ao discurso do presidente Bolsonaro.