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Sedentarismo genético: dá pra contornar?

Novo estudo mostra que predisposição genética pode aumentar risco cardíaco em até 20%.

Publicado em 30/04/2025 às 10h08
Sedentarismo genético: dá pra contornar?
Foto: Divulgação

Em alusão ao Dia Nacional de Prevenção e Combate à Hipertensão Arterial, comemorado no último dia 26 de abril, um novo estudo da Universidade de Jyväskylä, na Finlândia, chama a atenção para um fator pouco discutido: a predisposição genética ao sedentarismo.

A pesquisa revela que essa tendência hereditária pode aumentar em até 20% o risco do desenvolvimento de doenças cardiovasculares, incluindo a própria hipertensão arterial — uma das maiores causas de morte evitável no mundo.

Publicado no British Journal of Sports Medicine, o estudo utilizou dados genômicos de cerca de 330 mil finlandeses do projeto FinnGen. Liderados pela pós-doutora Laura Joensuu, os pesquisadores analisaram a relação entre fatores hereditários relacionados ao sedentarismo e a incidência de diversas doenças cardiovasculares, como hipertensão e infarto.

“O risco genético pode, muitas vezes, ser ainda mais relevante do que os fatores ambientais, como hábitos e alimentação. Mas é fundamental que as pessoas entendam que no geral: genética não é sentença. Ter uma predisposição não significa que o desfecho é inevitável. O acompanhamento com profissionais de saúde e a adoção de hábitos saudáveis podem modificar esse cenário e superar a influência genética”, enfatiza Ricardo Di Lazzaro, médico e doutor em genética pela Universidade de São Paulo – USP.


Ricardo Di Lazzaro, médico e doutor em genética pela USP (Foto: Divulgação)

 

Indivíduos com maior propensão genética ao sedentarismo acumulam, em média, 30 minutos a mais de inatividade física por dia, aponta a pesquisa. O cardiologista Raffael Fraga afirma que é indispensável se manter minimamente ativo no dia a dia. “É essencial que as pessoas busquem se manter ativas, mesmo que sintam falta de energia”, alerta. 

Um desafio global

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 17,9 milhões de pessoas morrem todos os anos por doenças cardiovasculares. No Brasil, essas condições lideram o ranking de mortalidade: entre janeiro e setembro de 2024, foram registradas 237.213 mortes.

As pesquisas da Universidade de Jyväskylä reforçam a importância de entender a interação entre genética, comportamento e saúde do coração. A integração entre ciência, tecnologia e mudança de estilo de vida é mais do que necessária. Manter-se ativo e informado pode ser umas das chaves para uma vida mais longa e saudável. 

Por uma questão até evolutiva, nós seres humanos, somos ativos por instinto. Nossos ascendentes neandertais eram nascidos para caçar, lutar com animais, correr e nadar, tudo por questões de sobrevivência naquele mundo primitivo. 

Hoje em dia não temos mais a necessidade de caçar, pescar ou nadar (a menos que seja por hobby), então acaba que perdemos parte dessa essência primitiva que nos ajudava no controle natural do peso, afinal, quanto maior a movimentação, mais ativo o indivíduo se torna e o acúmulo de gordura se dificulta. 

Como disse o Dr. Di Lazzaro, genética não é sentença, dá para mudar os hábitos diários em prol da saúde de modo geral. Eu sei, temos trabalhos, faculdade, família e precisamos dar conta de tudo isso antes de ir treinar. Mas não estou falando aqui para você largar tudo e ficar na academia 3h por dia. O mínimo de exercício diário para alguém que não costuma se exercitar já pode gerar uma enorme diferença. 

Faz um esforço. Desce do busão um pouco antes da sua parada e vai andando um pouco. No horário do almoço, caminhe pela empresa ou pela faculdade enquanto sua marmita esquenta no microondas. Opte pelas escadas ao invés do elevador. Deixe a sua garrafa de água perto de você para te ajudar a lembrar de tomar.
Enfim, é o que eu sempre digo. Se não arrumar tempo para cuidar da saúde, vai ter que arrumar tempo para tratar a doença. Melhor prevenir que remediar, certo? Se cuida, frangolino. 

**Com informações da assessoria
 
BRITISH JOURNAL OF SPORTS MEDICINE. Disponível em: https://bjsm.bmj.com/content/early/2025/03/26/bjsports-2024-109491. Acesso em: 29 abr. 2025.

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Doenças cardiovasculares (DCVs). Disponível em: https://www.who.int/news-room/fact-sheets/detail/cardiovascular-diseases-(cvds). Acesso em: 29 abr. 2025.

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