Sindicato já prevê falta de veículos em Manaus
Paralisação da produção de 29 montadoras, no Brasil, deve afetar o fornecimento de carros para concessionárias da cidade
As paralisações nas linhas de produção de veículos no Brasil deve causar a escassez de carros ao longo do primeiro semestre de 2021. De acordo com o presidente do Sindicato dos Veículos Automotores no Amazonas (Sindicov-AM), João Braga Neto, a falta de insumos é o fator mais preocupante.
Dados da Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) contabilizaram 29 das 58 fábricas de automóveis com as atividades interrompidas no Brasil. Boa parte delas alegam que a parada tem o intuito de preservar as vidas dos seus funcionários, devido ao agravamento da pandemia da Covid-19 na maioria dos estados brasileiros.
Entretanto, ao menos duas delas indicaram que a falta de componentes, principamente condutores boa parte importados da China, como causa da redução das atividades industriais nas empresas.
João Braga afirma que, se até julho, não houver um retorno à normalidade nas montadoras, as concessionárias de veículos ficarão desabastecidas e podem haver filas de espera dos clientes que adquirirem automóveis, seja na linha de carros leves ou mesmo os veículos pesados, como caminhões e ônibus.
“De maneira geral vai faltar todos os produtos, porque é um problema de insumo. Uns mais, outros menos, mas de maneira geral é na linha toda, porque cada montadora tem o seu perfil”, revelou.
Duas rodas
Embora a Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares (Abraciclo) indique que nas montadoras locais ainda não existam sinalização de falta de insumos e que, por enquanto, o polo de duas rodas não corre risco de desabastecimento, o vice-presidente da Federação da Indústrias do Amazonas (Fieam), Nelson Azevedo, não descartou a possibilidade.
Segundo ele, o encolhimento da produção está acontecendo em toda a cadeia econômica do país, com exceção das atividades essenciais e economias associadas a elas. “Os demais setores estão padecendo a falta de insumos e de consumidores. Como você vai produzir automóveis, ou mesmo motocicletas, se as pessoas estão no isolamento? Não compram. A não ser o exército de motoqueiros do delivery”, apontou.
As paralisações das quatro fabricantes de motocicletas no Amazonas em janeiro, durante o segundo pico da Covid-19, culminaram na queda de 28,1% das vendas dos veículos em fevereiro na comparação com o mesmo mês de 2020, segundo a Federação Nacional das Distribuidoras de Veículos Automotores (Fenabrave). Até janeiro deste ano, ao menos 150 mil compradores ainda aguardavam a entrega das motos compradas no ano passado.
Para Nelson Azevedo, o risco é o prolongamento do período da pandemia. “E quem não tiver munição dificilmente sairá vitorioso. Os tempos são difíceis. Precisamos nos unir e nos ajudar”, destacou.
Desde o dia 24 de março, as fábricas da Mercedes, Renault, Scania, Toyota, Volkswagen, Volkswagen Caminhões e Ônibus, BMW, Agrale, Honda, Jaguar e Nissan estão paralisadas. A Volvo e a GM reduziram a produção.
Comentário – Nelson Azevedo – Vice-presidente da Fieam
‘O segmento de automóveis passa por dificuldades’
A produção de carros e motos no Brasil é um vetor de desenvolvimento, geração de empregos, renda e tributos. O país tem uma grande dependência da indústria automobilística devido a sua abrangência nacional. No estado do Amazonas, estão concentradas as montadoras de motos, formando o polo de duas rodas no Polo Industrial de Manaus.
Atualmente, o segmento de automóveis passa por dificuldades devido à pandemia da Covid-19, com a falta de componentes e incertezas quanto a vendas futuras. A montadora Ford já anunciou a finalização da produção no Brasil, e importará os veículos manufaturados da Argentina, Uruguai, China e Estados Unidos. Isso significa uma transferência de 5.000 empregos diretos e mais outros tantos indiretos, como logística, serviços gerais, fábricas de autopeças, embalagens, etc, e que estavam trabalhando na cadeia produtiva da montadora.
Segundo a montadora, a suspensão se deu por estratégias mercadológicas e de competitividade. Quando o país perde uma importante geradora de valor, há de se questionar se o ambiente de negócios está favorecendo a atração e a manutenção dos investimentos ou se está afugentando os atuais e potenciais investidores.
Neste momento, o governo precisa se movimentar para protelar pagamento de impostos e retomar programas de apoio senão podemos naufragar se as coisas se complicarem um pouco mais