Vítimas de deslizamento no Nova Vitória cobram posicionamento da Prefeitura
Moradores afirmam que desde o dia 27 de dezembro, quando quatro pessoas da mesma família morreram, a prefeitura não honra com a promessa de auxílio-aluguel
Mais de 50 moradores da rua Abraão, Nova Vitória 2ª etapa, Zona Leste de Manaus, realizam na manhã desta sexta-feira (12) uma manifestação pacífica em frente à sede da Prefeitura de Manaus, localizada na Avenida Brasil, Zona Oeste da cidade. Conforme os manifestantes, o principal motivo é o não cumprimento da prefeitura com o repasse do auxílio aluguel para as famílias que foram prejudicadas pelas alagações que vem ocorrendo desde o dia 27 de dezembro, quando um barranco desabou e vitimou as famílias m barranco desabou e vitimou as famílias , principal a do autônomo Samir Menezes de Castro, que perdeu três filhas e a esposa que foram soterradas.
Representantes do grupo foram recebidos pelo vice-prefeito, Marcos Rotta, após o ato. E segundo a Prefeitura de Manaus, os comunitários não falaram sobre o auxílio-aluguel, apenas sobre melhorias na comunidade.
Na última segunda-feira (9) a reportagem de A CRÍTICA retornou ao local para saber como se encontrava as famílias que foram afetadas com essa tragédia retornou ao local para saber como se encontrava as famílias que foram afetadas com essa tragédia . Encontramos Samir, o filho Samir Costa Castro, 13, a enteada Sabrina Costa Protásio, 17, e mais o animal de estimação da família, a cadelinha Esmeralda, acolhidos nas casas de vizinhos que também ficam localizadas em áreas de risco.
Samir estava preparando a ferragem de uma coluna que iria dar início a reconstrução da antiga casa perdida no desastre. De acordo com o autônomo, ele tinha desistido de esperar os auxílios prometidos pela prefeitura. Duas semanas haviam passado e a família de Samir continua morando de favor. A prefeitura, por nota, informou que o dinheiro do Auxílio Aluguel, benefício concedido a 88 famílias prejudicadas pela chuva do dia 27 de dezembro, estava sendo liberado na manhã de ontem, quarta-feira (11), estando as famílias cientes dos procedimentos necessários para o recebimento e permanência no auxílio.
O líder comunitário do Nova Vitória 2ª etapa, Carlos Silva, que acompanhou o A CRÍTICA no retorno ao local do desastre, alegou, na manhã de hoje, que desde o dia do desastre as famílias não tiveram mais nenhum contato com qualquer órgão da prefeitura e por isso, decidiram realizar uma manifestação pacífica em frente à sede do órgão.
“As famílias continuam desassistidas, todo dia é dia de chuva e a situação na rua Abraão é totalmente preocupante, pois temos medo que o desastre venha se repetir. Os moradores a cada chuva estão perdendo os bens materiais, pois a rua fica totalmente alagada. Eles prometeram retirar essas família de lá com o auxílio aluguel, mas nada foi feito e por isso viemos procurar a prefeitura para termos um posicionamento”, disse.
A dona de casa Kelre Anselmo Timóteo, 29, também ficou soterrada da cintura pra baixo no dia 27 de dezembro, disse que chegou a receber colchão, uma cesta básica e roupas. Mas ficou desabrigada, morando na casa dos vizinhos, no aguardo da promessa do auxílio aluguel. “Se passaram duas semanas e não tenho pra onde ir. Perdi tudo com a chuva do dia 27 de dezembro. Fiquei soterrada quando o barranco desabou, cheguei a receber algumas roupas, colchão e um rancho no dia do acidente e me prometeram ajudar com o aluguel, mas até agora não tive retorno. Se não fosse ajuda dos vizinhos que também estão em situações parecida com a minha, talvez estaria morando na rua”, detalhou.
O vigilante Delmo Matos da Silva, 36, reforçou que desde o dia do desastre nenhum órgão da prefeitura de Manaus retornou a rua Abraão. “Moro há mais de 11 anos no mesmo local. Sempre só recebemos promessas e mais promessas. Nem depois de vidas que foram perdidas algo foi feito. Estamos totalmente entregues e não temos culpa pelo o que houve, só queremos que nos ajudem e cumpram com o que foi prometido”, disse.
Reunião
O líder comunitário do Nova Vitória 2ª etapa, Carlos Silva, foi recebido na sede da prefeitura pelo vice-prefeito de Manaus, Marcos Rotta, no final da manhã desta quinta-feira. De acordo com a Prefeitura, houve o compromisso de se montar uma força-tarefa para atender as reivindicações da comunidade. Dr acordo com a Prefeitura, não houve exigências pelo auxílio-aluguel durante a reunião.
Mesmo com moradores afirmando que a Prefeitura não tem atuado no local, o secretário de Assistência Social, Elias Emanuel, afirmou que equipes estão no local desde o ocorrido no dia 27, segundo ele, fazendo monitoramento para impedir que novas casas sejam construídas no local do desmoronamento. A reportagem de A CRÍTICA mostrou que Samir Castro vem construindo novamente sua casa no lugar onde houve o acidente que vitimou a mulher e as filhas.
Sobre o auxílio-aluguel, a Prefeitura de Manaus informou que, no Nova Vitória, há quatro famílias inseridas no auxílio-aluguel, nove que recusaram deixar o local e uma que tem direito mas não deu entrada no pedido.