Ameaça silenciosa: especialista ajuda a identificar a endometriose
Caracterizada pelo crescimento de um tecido semelhante ao endométrio fora do útero, a doença atinge milhões de mulheres em todo o mundo
A endometriose é uma condição ginecológica que atinge milhões de mulheres em todo o mundo e, muitas vezes, demora a ser diagnosticada. Caracterizada pelo crescimento de um tecido semelhante ao endométrio fora do útero, ela pode se instalar nos ovários, na bexiga ou até mesmo no intestino. Segundo a médica especialista em ultrassonografia da mulher e diagnóstico da doença, Suzy Cunha, trata-se de uma mazela que pode impactar fortemente a qualidade de vida.
“A endometriose pode causar dores de intensidade variada durante o período menstrual e é uma das principais causas de infertilidade feminina”, explicou Suzy ao VIDA.
Embora os estudos avancem, as causas exatas ainda não são totalmente conhecidas. Duas teorias, no entanto, são as mais aceitas: a da menstruação retrógrada e a da metaplasia celômica. Além disso, fatores hormonais, genéticos, imunológicos e até ambientais estão entre os possíveis gatilhos.
“A endometriose é uma doença estrogênio-dependente. Mulheres que menstruam muito cedo e entram em menopausa mais tarde ficam mais tempo expostas ao estrogênio, o que aumenta o risco. Além disso, histórico familiar, dieta, sedentarismo e exposição a poluentes também podem influenciar”, destacou a especialista.
Avanços
Nos últimos anos, avanços tecnológicos e científicos têm auxiliado no diagnóstico mais preciso, reduzindo o tempo entre os primeiros sintomas e a confirmação da doença. Mas, mesmo assim, muitas mulheres ainda enfrentam um longo caminho até receberem o diagnóstico adequado. Nesse cenário, a informação é vista como uma grande aliada.
Quando o assunto é tratamento, a abordagem deve ser personalizada. Existem desde alternativas medicamentosas até a cirurgia. A escolha depende do estágio e da localização da doença.
“O tratamento pode ser clínico-medicamentoso ou cirúrgico. A cirurgia geralmente é indicada quando os sintomas não melhoram com medicamentos ou quando há comprometimento de órgãos como intestino ou bexiga. O objetivo é retirar o maior número possível de focos de endometriose”, diz Suzy.
Conscientização, informação e acompanhamento médico adequado são fundamentais para que mais mulheres tenham acesso ao diagnóstico precoce e ao tratamento correto. Assim, é possível não apenas reduzir os impactos da doença no dia a dia, mas também oferecer qualidade de vida a quem convive com a endometriose.
Além disso, Suzy Cunha reforça que é essencial quebrar tabus em torno da menstruação e das dores femininas para que os sintomas não sejam normalizados ou minimizados. “Dor incapacitante durante o período menstrual não é normal. Procurar ajuda médica é o primeiro passo para garantir saúde e bem-estar”, concluiu.