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A Crítica
Saúde

Câncer de ovário: um mal silencioso

Especialistas alertam para a importância dos exames periódicos de um dos cânceres ginecológicos mais comuns

Publicado em 11/09/2022 às 17h36
Câncer de ovário: um mal silencioso
Foto: Divulgação

Com sintomas silenciosos, o tumor de ovário é o mais letal dos cânceres ginecológicos, e, diferentemente do câncer de mama, não possui um exame específico de rastreamento, fatores que preocupam, já que 75% dos casos ainda são diagnosticados tardiamente.

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), são estimados 6.650 novos casos do câncer de ovário no país por ano, sendo registrados aproximadamente 4 mil mortes somente em 2020. O tumor de ovário é a segunda neoplasia ginecológica mais prevalente entre as brasileiras, ficando apenas atrás do número de diagnósticos de câncer de útero.
 
Em sua fase inicial, o tumor de ovário não causa sintomas específicos, o que dificulta o diagnóstico precoce, mas na medida em que ele cresce pode causar pressão, dor ou inchaço no abdômen, pelve, costas ou pernas, náusea, indigestão, prisão de ventre ou diarreia e cansaço constante.

Prevenção

Segundo a médica Daniela de Freitas, oncologista do Hospital Sírio-Libanês, é fundamental conversar sobre a doença e estar em contato regular com o médico. “Muitas vezes, não há sintomas no início da doença. As mulheres precisam incluir visitas anuais ao ginecologista, se submeterem aos exames necessários e não esquecer de contar sobre o histórico de câncer em sua família, caso haja algum caso relacionado”.

Alguns sinais, esclarece a médica, podem servir de alerta, como dores pélvicas persistentes, não restritas ao período pré-menstrual, inchaço abdominal, flatulência, dor lombar persistente, sangramento vaginal anormal, febre recorrente, dores de estômago ou alterações intestinais, perda de peso acentuada, anormalidades na vulva ou na vagina e fadiga.

“É necessário ficar atenta a qualquer sintoma persistente, uma maneira de aumentar as possibilidades de diagnóstico precoce e início imediato de tratamento. Temos à disposição um novo arsenal de terapias eficazes que atuam em diferentes frentes e conseguem impedir o crescimento do tumor, resultando em maiores chances de controle e proporcionando aumento da expectativa e qualidade de vida à paciente”, destaca.

Fatores de risco

De acordo com a oncologista Vivian Coski, os principais fatores de risco são idade avançada, nuliparidade (quando não há procriação), menopausa tardia e a menarca precoce, ou seja, algum fator hormonal, síndromes genéticas, histórico de endometriose e de tratamentos de radioterapia na região da pelve.

Quanto à possibilidade do cisto no ovário se tornar um câncer, ela explica: isso vai depender do tipo de cisto. Se for um cisto simples, não há esse risco. Mas se for um cisto complexo, com uma parte sólida, existe a possibilidade de que se transforme em um câncer. Portanto, o diagnóstico de um cisto no ovário precisa ser muito bem acompanhado com exames como o ultrassom transvaginal para checar se há risco de evoluir para câncer”.

Conforme Coski, os especialistas consideram o paciente curado quando, após cinco anos do fim do tratamento, não há sinais da volta do câncer. “Por isso, para aquelas que finalizaram ou estão finalizando o tratamento de câncer de ovário é de vital importância que haja uma rotina de exames, de acordo com a orientação do médico especialista, para monitorar uma possível volta do tumor ou não.