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A Crítica
Saúde

Educação emocional em casa: mães compartilham estratégias

Mães compartilham estratégias para ensinar crianças a reconhecer sentimentos e lidar melhor com frustrações desde os primeiros anos de vida

Publicado em 07/03/2026 às 16h00
Educação emocional em casa: mães compartilham estratégias
Foto: Divulgação

Em um mundo cada vez mais acelerado e cheio de estímulos, ensinar crianças a lidar com as próprias emoções tem se tornado uma preocupação crescente entre famílias. A chamada educação emocional, que envolve reconhecer, nomear e compreender sentimentos, começa dentro de casa e pode ajudar a formar adultos mais seguros, empáticos e preparados para lidar com frustrações.

Mais do que evitar conflitos ou “silenciar” emoções, especialistas apontam que o caminho passa pelo acolhimento e pelo diálogo. Na prática, isso significa permitir que a criança expresse o que sente, validando suas emoções e ajudando-a a entender o que está acontecendo naquele momento.

Mãe da Lavínia, de 4 anos, a relações públicas Maria Eduarda Noronha conta que busca criar uma rotina que favoreça a comunicação com a filha, mesmo diante da correria do dia a dia.

Segundo ela, pequenos momentos de conversa fazem diferença na construção desse vínculo emocional. “Durante a semana, temos menos tempo juntas por conta do trabalho. Então, costumo incentivar uma rotina que traga previsibilidade, com diálogo, incluindo ela em atividades da casa e pequenas responsabilidades para que ela se sinta pertencente. Antes de dormir, conversamos sobre como foi o dia e quando ela nos conta sobre alguma angústia, ou pontua algo que achou relevante, procuramos fazer perguntas sobre como ela se sentiu em relação a situação e achar meios para validar os sentimentos dela”, contou Maria Eduarda ao VIDA.

Para a relações públicas, a própria forma como os adultos lidam com as emoções serve como exemplo para os filhos. “Para mim, maternar é um espelho e, na prática, eu consigo ensiná-la a reconhecer os próprios sentimentos através dos meus. Em episódios de birra, converso explicando que eu também sinto raiva, frustração, medo e que podemos achar uma solução, juntas, para ajudá-la a se acalmar. Hoje, ela mesma pede: ‘Mãe, eu não consigo me acalmar, me dá um abraço?’. E, claro, que nem sempre isso funciona na hora, mas sempre rola a conversa depois”.

Desenvolvimento e formação

A psicóloga Luana Marques, mãe da Esther, de 2 anos, explica que trabalhar o emocional desde cedo contribui diretamente para o desenvolvimento da criança. Para ela, entender os sentimentos é parte essencial da formação de qualquer indivíduo. “O emocional de um ser humano é a própria essência de quem ele vai se tornar. Trabalhá-lo é importante não só para o contexto familiar, mas também para o futuro adulto que essa criança será”.

Segundo Luana, mesmo em fases desafiadoras do desenvolvimento infantil, como o chamado “terrible two” – ou terríveis 2 anos -, é possível transformar situações de frustração em oportunidades de aprendizado. Em casa, ela utiliza recursos lúdicos para facilitar a compreensão das emoções.

“Como psicóloga, utilizo minha vivência clínica para auxiliar no manejo dessa educação emocional, com jogos que exploram a comunicação das emoções, além de um diálogo acolhedor. Também utilizamos desenhos que ajudam a canalizar melhor suas emoções”.

O acolhimento também é parte fundamental quando a criança demonstra medo, ansiedade ou frustração. Para Maria Eduarda, nesses momentos, o mais importante é oferecer presença e segurança. “Ofereço ajuda para acalmar, abraço e acolho, dou colo. Não tento distraí-la daquilo ou mudar de assunto, mas sempre digo que estou do lado dela pra proteger e ajudar”.

Para Luana, o desafio de criar filhos emocionalmente seguros está justamente em encontrar equilíbrio na forma de lidar com os sentimentos, tanto dentro de casa quanto na sociedade.

“A forma como a sociedade tem lidado com as emoções nos assusta um pouco, porque percebemos um certo desequilíbrio. Ou vemos pessoas extremamente sensibilizadas e com muita dificuldade de lidar com frustrações, ou vemos pessoas que anulam qualquer possibilidade de se sentirem vulneráveis. Nosso desafio [meu e da minha esposa, Fernanda], é mostrar para a nossa filha que existe equilíbrio entre esses extremos: que ela tem o direito de sentir, assim como tem o dever [consigo mesma] de encarar as adversidades da vida”, finalizou.