Ortorexia: quando a alimentação saudável se torna um ‘problema’
Comer de forma saudável é um bom caminho, menos quando se torna um comportamento obsessivo
Você já deve ter ouvido falar sobre anorexia e bulimia, certo? Aqueles transtornos alimentares bastante conhecidos onde o paciente simplesmente não come nada ou vomita após comer, respectivamente, tudo isso para saciar uma falsa ilusão de controle de peso. São transtornos alimentares conhecidos, catalogados e tratáveis. Entretanto existe um outro transtorno, ou melhor, ‘desordem alimentar’ que poucas pessoas sabem [ou não falam]: a ortorexia.
Ainda não reconhecido pela Organização Mundial da Saúde como um transtorno, pois não existem critérios diagnósticos definidos pela OMS, a ortorexia nervosa é uma desordem alimentar que leva o paciente a se preocupar excessivamente com a qualidade dos alimentos que consome. Essa desordem faz com que o paciente consuma apenas alimentos considerados ‘bons’ e saudáveis. Além disso, o paciente também costuma planejar com muita antecedência aquilo que irá comer, adotando regras cada vez mais restritas quanto à exclusão de certos tipos de alimentos considerados ‘não saudáveis’.
Em outras palavras, é aquela pessoa que fica o tempo todo preocupada em ‘comer para não catabolizar’, que não consome nenhum tipo de alimento ultraprocessado, que fica o tempo inteiro calculando os macronutrientes de tudo que irá comer e que fica horas lendo os rótulos dos produtos nos supermercados. Você conhece alguém assim? Esta é uma condição que tem se tornado bastante frequente entre as pessoas do mundo fitness, os blogueiros ‘marombeiros’ e alguns atletas de fisiculturismo. Entretanto, este assunto não é muito divulgado, acredito que por não ser considerado (ainda) um transtorno reconhecido pela OMS.
Embora seja um tema relativamente novo, a ortorexia já havia sido registrada há algumas décadas na medicina como um transtorno alimentar restritivo evitativo, seletividade alimentar comumente percebida em crianças diagnosticadas com a síndrome do espectro autista. Com o tempo, o termo ortorexia vem ganhando outros espaços, geralmente como consequência dos supostos padrões impostos pela sociedade.
Em entrevista ao blog Vida Saudável, Eduardo Aratangy, médico supervisor do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP (IPq/USP), afirma que muitos casos de ortorexia nervosa vêm surgindo a partir de dietas sendo mostradas por ‘influencers’ na internet. “Muitos casos são relacionados com as dietas da moda e com questões vindas das redes sociais. Uma celebridade propõe beber água alcalina, todo mundo começa a beber água alcalina mesmo que isso não faça nenhum sentido fisiológico. Uma celebridade propõe suspender todo alimento derivado do leite e, aí, todo mundo começa a suspender derivados do leite. Isso vira um problema de saúde, pode se tornar uma desnutrição vitamínica, proteica e de minerais”, disse o especialista.
Alguns sinais comuns que devem ser observados para fins de cuidados com essa desordem alimentar são: Preocupação excessiva com a qualidade dos alimentos; Sentimento de culpa ao comer algo considerado pouco saudável; Obsessão por ler rótulos e ingredientes; Exclusão de alimentos “impuros” de forma absoluta; Restrição alimentar extrema; Sentimento de superioridade aos outros por conta da alimentação adotada.
Se você se identificou com alguns desses sinais, pode significar que esteja desenvolvendo uma desordem alimentar. O ideal é procurar ajuda de um profissional da saúde mental. O comportamento humano é um espelho das experiências que vivenciamos na vida, sejam boas ou ruins. Tudo começa na mente e cuidar dela é tão essencial quanto cuidar do corpo. Lembre-se, o equilíbrio é a chave para uma vida plenamente feliz. Faça seu cardio, seu treino, sua dieta, mas permita-se sair com seus amigos, fazer suas refeições livres e respeite seus dias de descanso.
Tudo o que é exagerado e descontrolado acaba se tornando um problema. Lembre-se, a diferença entre o remédio e o veneno é a quantidade. Não viva uma vida sempre no 8 ou 80. Encontrar o equilíbrio é fundamental para manter a saúde física e mental. Se você não é atleta de fisiculturismo em preparação, não há a menor necessidade de ficar calculando macros o tempo todo. Sem falar que é uma parada chata, inclusive. “Ai, não posso comer isso porque tem muito carbo, não posso comer aquilo porque não tem muita proteína” e blá blá blá. Há dois anos eu estive bem perto de desenvolver essa desordem alimentar, quando estava hiperfocado no mundo fitness após sair da obesidade, porém, com o tempo acabei encontrando o meu ponto de equilíbrio. Não tenha receio de comer algo fora da dieta com medo de perder o shape, afinal, não dá pra perder aquilo que nunca teve, né frangolino? Se cuida!