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A Crítica
Saúde

Os perigos dos ultraprocessados

O consumo de ultraprocessados foi responsável por 57 mil mortes prematuras de brasileiros em 2019, ano em que o Atlas da Violência registrou 45,5 mil homicídios no país.

Publicado em 07/02/2024 às 09h08
Os perigos dos ultraprocessados
Foto: Divulgação

Salgadinho de milho, refrigerante, batata chips, macarrão instantâneo e biscoito. Já comeu isso tudo pelo menos uma vez, certo? Eu me recuso a chamar essas comidas de alimentos, então neste texto vou chamá-los apenas de “produtos alimentícios”. Esses produtos ultraprocessados são muito comuns, populares e presentes na mesa dos brasileiros. Mas se eu te contar que os ultraprocessados matam mais pessoas no Brasil que as próprias pessoas? Ficou confuso? Eu explico. Comidas ultraprocessadas são responsáveis por mais mortes que os homicídios no país. Isso segundo um estudo brasileiro publicado no American Journal of Preventive Medicine (Jornal Americano de Medicina Preventiva). 

De acordo com essa pesquisa, conduzida por pesquisadores da Unifesp, USP, Fiocruz e da Universidad de Santiago de Chile, o consumo de ultraprocessados foi responsável por 57 mil mortes prematuras de brasileiros em 2019, ano em que o Atlas da Violência registrou 45,5 mil homicídios no país. Foram categorizadas de ‘mortes prematuras’ as vidas perdidas de pessoas com idade entre 30 e 69 anos. Os ultraprocessados foram categorizados como formulações industriais produzidas com partes de alimentos e misturados com aditivos sintetizados em laboratórios, como conservantes e outros ingredientes, exemplos como pizzas congeladas, salsichas e nuggets, além de refrigerantes, salgadinhos vendidos em pacote e outras comidas carregadas de sódio, açúcar e gordura saturada. 

Tá, mas como essas comidas matam exatamente? Ainda segundo a pesquisa, o consumo de ultraprocessados está diretamente ligado ao surgimento de problemas cardiovasculares, diabetes e câncer, doenças responsáveis pelas mortes prematuras de pessoas entre 30 e 69 anos. Para se chegar no número estimado de mortes, os pesquisadores utilizaram como elementos do cálculo informações da última Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF), com informações de 2017 e 2018 acerca do percentual de participação das comidas ultraprocessadas no total de calorias ingeridas, dados demográficos e de mortalidade para 2019. Também foram usados os dados de uma vasta pesquisa que revisou sistematicamente estudos sobre a associação entre o consumo de ultraprocessados e o aumento no risco de mortalidade geral, o que ajudou a chegar aos riscos relativos a cada faixa de consumo desse tipo de alimento.

Mas por que os brasileiros consomem tanto esse tipo de produto alimentício? Segundo a nutricionista clínica Ana Margarida, a praticidade desse tipo de produto facilita o seu consumo exagerado. “As pessoas costumam ser muito imediatistas nos dias atuais, com toda a facilidade e praticidade das tecnologias, as pessoas querem praticidade também na alimentação, pois é só abrir um pacote e consumir. Porém, o que as pessoas precisam entender é que esse consumo não é saudável, pois estes produtos possuem grande quantidade de gordura hidrogenada, sódio e açúcares que acabam causando diversas doenças e até infarto”, explicou. 


Ana Margarida, nutricionista clínica. (Foto: Junio Matos)

 

Apesar dos diversos malefícios causados por esses produtos alimentícios, os pesquisadores calcularam uma redução de danos se a diminuição no consumo desses produtos fosse observada. Com uma redução de 10% desse consumo, por exemplo, 5.900 pessoas não morreriam de doenças crônicas ao longo do ano. Esse número aumenta ainda mais à medida que se diminui a quantidade de ultraprocessados ingeridos. Na redução de 20%, o valor salta para 12 mil indivíduos poupados. Já no corte de 50% desses alimentos, o número total de vidas salvas sobe para 29.300. Ou seja, uma pequena diminuição desses produtos já representaria um grande número a menos de mortes prematuras por doenças do coração, diabetes e câncer. 

Ainda de acordo com Ana Margarida, embora os ultraprocessados não possuam valor nutricional adequado, eles podem ser consumidos esporadicamente. “O ideal é banir esses produtos da alimentação, pois são altamente prejudiciais, calorias vazias e não trazem nenhum benefício nutricional. Mas, eventualmente, se você gosta muito, eles podem ser consumidos. Esporadicamente, não pode virar rotina. Se sua alimentação for balanceada, saudável e com o mínimo de processamento possível, uma vez a cada quinze dias, um ultraprocessado pode ser consumido. Descasque mais e desembrulhe menos!”, finalizou a nutricionista. 

É sobre isso, frangolino. Eu, particularmente, sou contra todo e qualquer extremismo. Sou a favor da redução de danos. A ideologia 80 por 20. Você não precisa ser perfeito o tempo todo. Viva a vida de forma saudável em 80% do tempo e naqueles 20% seja livre para consumir um produto ou outro que você deseja. Isso ajuda a manter a sanidade mental e seu réu primário intacto. Você não é atleta, não precisa seguir a dieta e o treino de um. Sua saúde e seu shape não serão afetados porque você comeu um biscoito recheado depois do almoço ou tomou aquela coquinha gelada em um dia de calor manauara. Treine, opte por alimentos de verdade na maior parte do tempo, faça seu cardio durante toda a semana e naquele sábado coma seu x-salada, suas fatias de pizza, tome seu chopp e seja feliz. Equilíbrio sempre!