“Tudo o que eu como”… influencia na minha saúde!
Cerca de 41% da população brasileira estará obesa até 2035, segundo o Atlas da Obesidade
Não é segredo que as redes sociais desempenham um papel fundamental na opinião pública. Diariamente vemos novos usuários criadores dos mais diversos conteúdos chegando e tomando seu espaço nas mídias digitais. Isso é algo bom. Significa democratização da comunicação. Todos devem ter o direito de se comunicar e de se fazer serem ouvidos.
Junto com o lado positivo do acesso à informação, comunicação e entretenimento, as redes sociais também garantem seu lado controverso, desinformativo e fútil. Os famosos reels do Instagram, TikToks, YouTube Shorts, entre outros, são ferramentas bastante úteis para a divulgação de conteúdos, sejam bons ou maus.
Você já deve ter se deparado com vídeos do tipo “tudo o que eu como no parque de diversões”, ou “comendo todas as comidas do rodízio”, onde usuários dessas redes se gravam consumindo uma grande quantidade de comida e postam na internet para ‘viralizar’. Se você ainda não viu nada disso, tenho inveja de você, pois a única coisa que eu consigo fazer quando me deparo com um vídeo desses é ‘arrastar pra cima’ e passar para o próximo.
Segundo o Atlas Mundial da Obesidade, cerca de 41% da população brasileira estará obesa até 2035; um percentual que pode chegar a 75% nos próximos 20 anos, conforme um estudo do pesquisador da FioCruz, Eduardo Nilson, apresentado no Congresso Internacional sobre Obesidade 2024. Parte da população obesa do país não enxerga a obesidade como uma doença e não compreende os impactos negativos sobre a saúde.
Essa visão deturpada da obesidade, também chamada de romantização, ganhou muita visibilidade após influenciadores da internet apoiarem movimentos do tipo “body positive”, movimento onde pessoas ‘fora do padrão’ e obesas influenciam outras pessoas a ‘se aceitarem’ como estão e manifestam seu descontentamento com situações do cotidiano em que não se sentem bem aceitas, como passar na catraca do ônibus, como a falta de roupas plus size em lojas de departamento, ou a falta de assentos maiores no avião, entre outros.
Segundo o nutricionista clínico, Anderson Almeida, a romantização da obesidade é perigosa, pois se trata de uma doença que gera outras doenças. “A romantização da obesidade é algo extremamente perigoso porque é uma patologia que abre portas para diversas outras doenças, como síndrome metabólica, diabetes mellitus, pressão arterial e hipercolesterolemia [colesterol alto]. Essa pessoa tem que buscar ajuda de uma equipe multidisciplinar para voltar aos padrões e a melhorar a qualidade de vida dela”, afirmou o profissional.

Anderson Almeida, nutricionista especialista em emagrecimento (Foto: Divulgação)
“Tudo o que eu como… influencia na minha saúde” e as pessoas precisam compreender que a má alimentação não pode ser normalizada. Não é sobre ‘ser fitness’, é sobre ter o mínimo de noção sobre o que se está comendo. Não estou dizendo aqui para você nunca mais comer um salgadinho, tomar um refrigerante ou virar um bodybuilder. Só estou mostrando que a comida deve ser usada com moderação e controle.
Só um lembrete, frangolino, estar gordo é uma condição, não uma sentença. Você pode mudar isso se quiser. Porém, não vou meter aquele papinho coach motivacional de ‘basta você querer’, você já sabe o que precisa fazer. Dieta, treino e cardio. O arroz com feijão de todos os dias, o básico que sempre funcionou e sempre vai funcionar. O que esses ‘influencers’ fazem na internet é algo perigoso para a saúde deles e dos espectadores que podem tentar reproduzir esses hábitos. A alimentação deve ser tratada com cautela e respeito, é nutrição corporal. Seu corpo é seu bem mais precioso. Cuide bem dele!