O Brasil corre o risco de perder um investimento industrial estimado em até R$ 27 bilhões para um país vizinho por causa de entraves burocráticos. A possibilidade acendeu um alerta sobre o impacto da falta de previsibilidade em projetos de grande porte e colocou em discussão a capacidade do país de manter investimentos estratégicos.
A situação envolve a chilena CMPC e o chamado Projeto Natureza, planejado para o município de Barra do Ribeiro, no Rio Grande do Sul. A proposta prevê uma megafábrica de celulose com capacidade para produzir 2,5 milhões de toneladas por ano, além de uma estrutura própria no Porto de Rio Grande para exportação.
Segundo a empresa, a continuidade do projeto depende da solução de um impasse relacionado ao licenciamento ambiental. O diretor-geral da CMPC no Brasil, Antonio Lacerda, afirmou que a companhia já considera o Paraguai como alternativa caso não haja definição até o fim de 2026.
O principal obstáculo está ligado a uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal (MPF). A discussão envolve a necessidade de Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI) junto a comunidades indígenas, quilombolas e pescadores que possam ser afetados pelo empreendimento.
Para a companhia, a demora cria um cenário de insegurança jurídica e ameaça o cronograma da iniciativa. Até o momento, a CMPC afirma ter investido cerca de US$ 400 milhões apenas no desenvolvimento do projeto, que tinha previsão de iniciar as obras ainda neste ano e operar comercialmente a partir de agosto de 2029.

Debate envolve competitividade e segurança jurídica
A possibilidade de transferência ganhou força porque o Paraguai passou a ser visto como um concorrente regional na atração de investimentos. De acordo com Antonio Lacerda, o país reúne disponibilidade de madeira e maior previsibilidade jurídica, fatores que têm chamado a atenção de grupos industriais nos últimos anos.
O caso também expõe um debate mais amplo sobre o equilíbrio entre proteção ambiental, direitos de comunidades tradicionais e competitividade econômica. Caso a mudança de país realmente aconteça, o Brasil poderá perder empregos, arrecadação e movimentação logística, além de ver um concorrente regional ganhar força em um setor considerado estratégico para a indústria exportadora.






