Reconhecida mundialmente por sua vasta biodiversidade, a Amazônia agora também chama a atenção por evidências que remontam a um passado muito mais antigo. Pesquisadores da Universidade Federal de Roraima (UFRR) identificaram indícios concretos de que dinossauros habitaram a região há mais de 100 milhões de anos, ampliando o conhecimento sobre a pré-história do território brasileiro.
Até recentemente, não havia registros que comprovassem a presença desses animais na porção brasileira da floresta amazônica. A nova descoberta, no entanto, muda esse cenário e abre novas perspectivas para a paleontologia no país.
Pegadas fossilizadas indicam diversidade de espécies
Os vestígios foram encontrados na Bacia do Tacutu, localizada no município de Bonfim, no norte de Roraima. Na região, os pesquisadores identificaram dezenas de pegadas fossilizadas preservadas em formações rochosas do período de transição entre o Jurássico e o Cretáceo.
As marcas indicam que diferentes grupos de dinossauros passaram pelo local, sugerindo uma diversidade maior do que se imaginava para a área. Embora ainda não seja possível determinar com precisão quais espécies deixaram os registros, os cientistas apontam três grupos principais como possíveis responsáveis.
Entre eles estão os chamados raptores, dinossauros carnívoros de pequeno a médio porte conhecidos por sua agilidade e comportamento predatório em grupo. Também foram identificados indícios de ornitópodes, herbívoros adaptados ao consumo de vegetação, além de tireóforos, caracterizados por placas ósseas que funcionavam como proteção natural contra predadores.

Pesquisa enfrentou obstáculos e ganhou novo impulso
O estudo que resultou na descoberta teve início em 2014, mas enfrentou interrupções devido à falta de recursos e de especialistas na área. Apenas em 2021, com o avanço de tecnologias de análise e mapeamento geológico, foi possível retomar as investigações de forma mais aprofundada.
A utilização de ferramentas modernas permitiu uma análise mais detalhada das rochas e das marcas preservadas, aumentando a precisão na identificação dos vestígios. Ainda assim, os pesquisadores ressaltam que o trabalho está em fase inicial e que novas etapas serão necessárias para confirmar mais detalhes sobre as espécies envolvidas.
A realização de estudos paleontológicos na Amazônia apresenta dificuldades específicas. A densa cobertura vegetal e a limitada exposição de rochas tornam mais difícil a localização de fósseis e outros vestígios antigos. Esses fatores explicam, em parte, a escassez de registros anteriores na região.
Apesar disso, especialistas acreditam que o avanço tecnológico pode transformar esse cenário. Técnicas mais precisas de mapeamento e análise geológica têm ampliado a capacidade de identificação de áreas promissoras para pesquisa.
Descoberta amplia conhecimento sobre o passado da região
A confirmação da presença de dinossauros na Amazônia representa um avanço significativo para a ciência brasileira. Além de contribuir para o entendimento da distribuição desses animais no planeta, o achado ajuda a reconstruir como era o ambiente da região milhões de anos atrás.
Hoje conhecida por sua floresta densa e rica biodiversidade, a Amazônia já teve características bastante diferentes no passado, possivelmente com áreas mais abertas e condições favoráveis à circulação desses grandes animais. A expectativa dos pesquisadores é que novas expedições na Bacia do Tacutu revelem ainda mais informações sobre o passado da região.







