Santa Catarina passou a registrar uma forte redução no número de famílias atendidas pelo Bolsa Família ao mesmo tempo em que quase 60 mil pessoas ingressaram no mercado formal de trabalho. O movimento chamou atenção justamente pela relação direta entre queda nos benefícios e avanço na geração de empregos no estado.
Dados do IBGE mostram que Santa Catarina possui atualmente o menor percentual de famílias beneficiadas pelo programa em todo o Brasil. O índice caiu de 4,3% dos domicílios em 2024 para 3,9% em 2025, enquanto a criação de vagas formais continuou avançando no mesmo período.
Somente no último ano, o estado abriu 58,8 mil empregos com carteira assinada e ainda alcançou a menor taxa de desemprego do país, com apenas 2,2%. No entanto, o cenário ficou ainda mais distante da média nacional, que chegou a 17,2% de famílias atendidas pelo Bolsa Família.
Outro dado que também ganhou destaque envolve o rendimento vindo de programas sociais em território catarinense. Apenas 6,9% dos domicílios receberam algum tipo de benefício em 2025, incluindo Bolsa Família e Benefício de Prestação Continuada, enquanto a média brasileira alcançou 22,7%.

Cidade virou exemplo após reduzir dependência assistencial
Bento Gonçalves, na Serra Gaúcha, passou a ser apontada como referência após reduzir em 40% o número de famílias cadastradas no Bolsa Família. O município saiu de 2.115 famílias beneficiadas em novembro de 2024 para 1.266 em abril de 2026, justamente após ampliar ações de recolocação profissional.
A estratégia implantada pela prefeitura conectou beneficiários a empresas que buscavam trabalhadores em setores como vinho, agricultura familiar, turismo, móveis e metalmecânica. Diogo Siqueira afirmou que “a melhor assistência social é o trabalho”, enquanto Eduardo Virissimo destacou a busca por autonomia financeira das famílias.
O debate também ganhou força entre economistas nos últimos meses após novos estudos sobre o tema. Daniel Duque, Claudio Shikida e Ricardo Gomes defenderam que o crescimento econômico e a geração de empregos formais podem reduzir justamente a dependência contínua de programas assistenciais no país.






