Você era daqueles estudantes que rabiscavam o caderno durante as aulas e, por conta disso, acabava até deixando de prestar atenção? Antigamente, isso era visto como algo totalmente ruim. Hoje, porém, essa perspectiva tem mudado um pouco graças a novos entendimentos da psicologia cognitiva.
Segundo um estudo clássico de Jackie Andrade, os alunos que rabiscaram algo simples no caderno durante uma tarefa de escuta entediante se lembraram de mais informações do que aqueles que apenas escutaram. Por mais contraditório que pareça, o simples ato de rabiscar se mostrou muito mais eficiente.
A explicação é que os movimentos aparentemente despretensiosos ajudam a evitar que a mente se perca em devaneios ou desconexões. Não se trata apenas de prestar mais ou menos atenção, mas sim de não perdê-la. Na prática, o rabisco funciona como uma âncora leve, por assim dizer.

Os riscos aleatórios ocupam um pouco da mente, mas não a ponto de competir com a explicação principal. Em suma, o que parecia um sinal de tédio, na verdade pode ser um aliado na manutenção do foco durante uma explicação. Não se trata de uma concentração mágica, e sim de evitar a distração completa.
Quando o rabisco ajuda e quando atrapalha?
Quando a tarefa principal é ouvir algo linear, repetitivo ou longo, o ato de rabiscar pode ser útil para ajudar a não perder o foco completamente, desde que o desenho seja simples. O rabisco deixa de ser útil justamente quando se torna um desenho elaborado, uma vez que isso obriga tomadas de decisões e desvia completamente o foco.
Aliás, convém destacar que o rabisco não é o mais recomendado. Pesquisas de 2024 apontam que fazer uma escuta ativa e anotações é a estratégia mais indicada para se obter o melhor desempenho nos estudos.
Em outras palavras, rabiscar pode servir como apoio em certos contextos, porém não é melhor do que a escuta ativa com anotações.






