Um novo empreendimento bilionário em rodovia está travado, obrigando as autoridades a recalcular a rota no Norte do Brasil. O empreendimento em questão é a pavimentação da BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO), que tem dado o que falar.
Conforme consta nos editais, estão previstas obras em 339,4 quilômetros da rodovia, no chamado “trecho do meio”. O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) estima um investimento de R$ 1,368 bilhão, dividido em quatro lotes, com o objetivo de agilizar o processo em frentes de trabalho simultâneas.
Hoje, a maior parte das mercadorias que saem e chegam a Manaus, via terrestre, dependem do transporte por balsas e rodovias precárias. De acordo com a projeção da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (FIEAM), a pavimentação da BR-319 ajudaria a melhorar essa questão, inclusive diminuindo o custo do frete em até 40%.

Essa economia representaria um fôlego para a economia local. A grande questão, porém, é a obtenção do licenciamento ambiental, que já foi negado mais de dez vezes. Concedida em 2022, a licença prévia permanece suspensa desde julho de 2024 por decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).
Estratégia do governo e questão ambiental
A decisão judicial se baseia na falta de estudos de impacto mais profundos e consultas obrigatórias às comunidades de povos originários que vivem no entorno da rodovia. Diante disso, o Governo Federal se apega a ideia de que o impacto ambiental seria reduzido em comparação à abertura de uma via totalmente nova.
O Observatório do Clima, que reúne mais de 160 organizações socioambientais, irá recorrer na tentativa de barrar as empreitadas do governo. O grupo argumenta que a pavimentação pode impulsionar o desmatamento ilegal em áreas preservadas, gerar especulação imobiliária, bem como a prática de grilagem às margens da rodovia.
O custo ambiental do empreendimento, segundo estimativas de alguns estudos climáticos, seria de bilhões de reais ao longo das próximas décadas.






